Por: Carmen Tavares
Ranking IMD 2026: lições dos líderes e os dilemas brasileiros

Por: Carmen Tavares*
Ranking das Economias Mais Competitivas em 2026 (IMD World Competitiveness Ranking)
| Posição | País/Economia | Observações |
|---|---|---|
| 1 | SG Singapura | Liderança pela eficiência empresarial e ambiente de negócios. |
| 2 | HK Hong Kong SAR | Destaque em eficiência governamental e ambiente regulatório. |
| 3 | CH Suíça | Forte em inovação, mas perdeu posição pelo desempenho econômico. |
| 4 | Tw Taiwan | Exportações e tecnologia impulsionam a competitividade. |
| 5 | AE Emirados Árabes Unidos | Reformas e estabilidade atraem investimentos. |
| 6 | DK Dinamarca | Instituições sólidas e infraestrutura avançada. |
| 7 | IE Irlanda | Ambiente favorável para negócios e tecnologia. |
| 8 | NL Países Baixos | Eficiência logística e inovação. |
| 9 | SE Suécia | Educação e inovação como pilares. |
| 10 | us Estados Unidos | Grande economia, mas desafios regulatórios. |
| 11 | QA Catar | Energia e investimentos estratégicos. |
| 12 | CN China | Crescimento robusto, mas desafios institucionais. |
O ranking das doze economias mais competitivas do mundo em 2026 divulgado recentemente pelo IMD World Competitiveness Ranking evidencia como educação de qualidade, instituições sólidas e inovação sustentada são os pilares que diferenciam os líderes globais. Singapura e Hong Kong, no topo, oferecem ambientes regulatórios ágeis e previsíveis, capazes de atrair capital e estimular negócios. A Suíça, mesmo com leve queda, continua sendo referência em inovação e formação de mão de obra altamente qualificada. Taiwan e Emirados Árabes Unidos mostram como tecnologia e diversificação econômica podem impulsionar a competitividade, enquanto Dinamarca, Irlanda e Países Baixos reforçam o papel europeu com infraestrutura avançada e confiança institucional. Suécia e Estados Unidos completam o grupo, sustentados por educação robusta e escala econômica, ainda que os EUA enfrentem desafios regulatórios que limitam sua ascensão.
O que une esses doze primeiros colocados é a clareza de que competitividade não se resume ao tamanho do PIB, mas à capacidade de transformar recursos em valor sustentável. Educação aparece como denominador comum: seja na Europa, na Ásia ou no Oriente Médio, os líderes investem em capital humano como motor de produtividade e inovação. Instituições confiáveis e ambientes regulatórios previsíveis completam a fórmula, criando ecossistemas em que empresas prosperam com segurança e visão de longo prazo.
Nesse cenário, o Brasil surge em contraste. Em 2026, ocupa a 65ª posição entre 70 países, ficando na América Latina atrás apenas da Colômbia, o que o coloca como penúltimo da região. A baixa competitividade brasileira é resultado de gargalos estruturais persistentes: custo de capital elevado, insegurança regulatória e, sobretudo, uma educação precária que compromete a formação de mão de obra qualificada. O país figura nas últimas posições em ensino primário e secundário, o que mina sua capacidade de sustentar inovação e produtividade no longo prazo. Além disso, a instabilidade institucional e as mudanças frequentes nas regras de negócios afastam investidores e reduzem a previsibilidade necessária para o crescimento.
O contraste é evidente: enquanto os líderes globais convergem em educação, inovação e estabilidade institucional, o Brasil permanece refém de deficiências estruturais que limitam sua capacidade de competir. Para o mercado, a mensagem é inequívoca: sem reformas profundas nesses pilares, o país continuará sendo um gigante em potencial, mas um ator secundário na arena da competitividade mundial.
Diante do quadro revelado pelo ranking de competitividade de 2026, em que os doze primeiros países se destacam por investir de forma consistente em educação, inovação e previsibilidade institucional, e o Brasil amarga a 65ª posição global, ficando na América Latina atrás apenas da Colômbia, é inevitável dirigir um olhar crítico ao papel das instituições de ensino privadas. Se a educação é o denominador comum entre os líderes mundiais, cabe perguntar: o que as escolas e universidades brasileiras têm feito para alterar esse cenário? Qual tem sido a contribuição efetiva do setor privado para pautar a sociedade em torno da urgência de uma transformação educacional? Estamos às vésperas de eleições em que as propostas dos candidatos, em sua maioria, repetem fórmulas desgastadas e pouco inovadoras. Nesse contexto, os gestores educacionais não podem se limitar a reproduzir práticas tradicionais; precisam assumir a responsabilidade de serem formadores de opinião, influenciando o debate público e exigindo políticas que realmente coloquem a educação no centro da agenda nacional. A omissão custa caro: sem uma mudança profunda, o Brasil continuará refém de gargalos estruturais e condenado a ocupar posições secundárias no cenário global. É hora de os líderes do setor educacional romperem com a inércia, mobilizarem suas comunidades e se posicionarem como protagonistas na construção de um futuro competitivo e sustentável para o país.
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*Maria Carmen Tavares Christóvão é Mestre em Gestão da Inovação com área de pesquisa em Inovação Educacional. Diretora da Pro Innovare Consultoria de Inovação Educacional, atuou como Reitora, Pró Reitora e Diretora de Instituições de Ensino de diversos portes e regiões no Brasil.
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