Universidade Contemporânea e Inovação

Ronaldo Mota

Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

Ronaldo MotaRonaldo Mota Reitor da Universidade Estácio de Sá *** As universidades, em geral, são definidas como sendo instituições pluridisciplinares associadas ao domínio e cultivo do saber humano que visam a formação de quadros de nível superior. No Brasil, a Constituição Federal, no seu Artigo 207, além de garantir autonomia, reafirma o conceito tradicional de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Embora milenar, tendo suas origens na Idade Média, a chamada universidade moderna tem como uma de suas principais referências a Universidade de Berlim, criada em 1810 por Wilhelm Humboldt, fruto da efervescência libertária na Europa Iluminista pós-Revolução Francesa e influenciada por Goethe, Schiller e Kant. A novidade da universidade humboldtiana é a incorporação imprescindível da atividade de pesquisa à prática pedagógica. Uma alteração, incluindo como missão complementar da universidade o desenvolvimento econômico regional, ocorre simultaneamente com a criação do Massachusetts Institute of Technology-MIT, nos Estados Unidos, em 1862. Posteriormente, essa nova dimensão influenciou outras instituições, inclusive europeias e asiáticas. A universidade brasileira, por sua vez, passou quase imune por esta última influência, tendo permanecido sempre, mesmo com exceções, de alma predominantemente e pretensamente humboldtiana. Se os mais de dois séculos que nos separam da criação da Universidade de Berlim estão recheados de mudanças, as próximas décadas nos reservam mudanças muito mais drásticas e rápidas. Entre as várias novidades em curso, a promoção de inovação enquanto missão adicional chama a atenção pela centralidade que ocupa no presente e mais intensamente terá ainda no futuro. Inovação compreende um produto ou processo novo, bem como a introdução de uma qualidade ou funcionalidade inédita que atende demandas. Assim, inovação implica em tecnologia e máquinas, mas vai além, contemplando também melhorias na gestão e novos modelos de negócios. Como ficam as universidades neste novo contexto? Nas últimas décadas, em sua maioria, elas têm se caracterizado pelas funções educativas clássicas e secundariamente pelas pesquisas convencionais. As universidades do presente e do futuro tendem a se transformar expressivamente, agregando às suas missões tradicionais de ensino e pesquisa, servir também como centros indutores de inovação. A palavra extensão redimensiona-se, abandonando qualquer pretensão da velha extensão enquanto falsa concepção de “levar” o conhecimento produzido para a sociedade. A sociedade, por meio de suas demandas, ajuda a moldar e definir com mais intensidade o conhecimento a ser desenvolvido, numa via de mão dupla na qual estamos pouco acostumados. Mesmo a visão empreendedora tradicional se recicla, dando espaço ao empreendedorismo coletivo que marcará as próximas etapas de desenvolvimento. Neste contexto, destaque-se o papel relevante das incubadoras de empresas e dos parques tecnológicos como elementos diretamente associados tanto à produção de conhecimentos como acoplados aos percursos acadêmicos dos cursos de graduação e dos programas de pós-graduação. Em suma, na universidade contemporânea a forma com que o conhecimento é desenvolvido, difundido e aplicado interfere não só na riqueza cultural da sociedade, mas, progressivamente, também na economia e na competitividade global. Atendimento à demanda social e capacidade de inovação passam a ser, gradativamente, os elementos centrais que definem prioritariamente a produção e a transmissão do conhecimento.

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Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

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Ronaldo Mota

Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

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