Solange Pereira Pinto Arte-educadora, arteterapeuta e coach sollpp@gmail.com ***
Comecei o magistério aos quatro anos de idade e me aperfeiçoei na atividade – lá pelos seis – quando troquei as bonecas riscadas de canetinha por alunos de verdade: as crianças da vizinhança. Em frente ao pequeno quadro de giz, com bolinhas coloridas para ensinar a contar, sentava no chão a meninada enfileirada e seus cadernos improvisados de folhas de jornal velho. Olhos atentos para o início da brincadeira. Um ditado aqui e um dever de casa ali estava pronta a diversão. No faz de conta, a gente podia exercitar uma sala de aula deliciosa, na qual a professora era igual aos alunos e a conversa se costurava com a participação de todos, interrupções, risadas, improvisos até “bater o sinal” com a voz da mãe nos chamando para algo “mais sério” como tomar banho, jantar ou até mesmo fazer a lição escolar. Eu pensava que ser professora era uma animada tarefa que juntava um monte de gente interessada em olhar na mesma direção, uns complementando os outros, até chegar o tempo de um adulto acabar a festa. Décadas se passaram e eu, finalmente, entrei numa sala de aula para ser uma “educadora de verdade”. Ainda que as mãos estivessem meio geladas, a sensação me era tão familiar, tão confortável, que nem me senti principiante. Nunca mais parei, apesar de estranhar por vários momentos a “brincadeira” (até hoje), pois nem todo mundo está ali disposto a se “divertir”, como eu. Sabe quando o pai nos obriga a comer legumes, que fazem bem à saúde, mas há certa resistência? Então... Esse é outro assunto... Voltando, descobri naquele primeiro dia de aula, diante de quase cinquenta alunos, numa aula de Leitura e Produção de Textos, após trabalhar dois turnos em outra profissão, que eu havia encontrado a senha para voltar a ser criança instantaneamente. Entusiasmada me emocionei. Ali estava uma vocação: convidar um monte de gente para olhar na mesma direção e falar, ouvir, falar, ouvir, falar – num quase sem fim – sobre isso e tal até enxergar de outro modo aquilo que aparentemente, tantas vezes, já se viu antes e somente juntos se pode ver além. Sem mais filosofia, nesse ofício sei que posso me sentar no chão, com a mesma alegria da minha infância, e me entregar ao momento (que parece congelar) para contar descobertas, estimular a curiosidade, ouvir histórias, fazer amigos, inspirar e ser inspirada, entre tantos outros ganhos. No fundo, não é nada disso! Eu vou lhe contar um segredo: esse foi apenas um jeito que encontrei para não me deixar envelhecer. Assim, posso renovar permanentemente as minhas sérias intenções de brincar, rir, aprender, interagir, compartilhar e me transformar até bater o último sinal.

16/10/2013

Falk Brito

Excelente texto, Solange. Parabéns. Bem, preciso ir. Conversamos depois. Bateu o último sinal. Beijos.

Rumo a Paris, com o futuro da educação superior na bagagem

Janguiê Diniz

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

Identificação de Riscos Psicossociais NR-01: A Triagem

Júlio Cesar de Castro Ferreira

Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

Os Silêncios Metacognitivos do Psicanalista e do Professor

Ronaldo Mota

Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

Caso o formulário de cadastro não apareça no seu navegador, envie um e-mail para relacionamento@abmes.org.br que ficaremos felizes em atendê-lo.