O Simulacro da Avaliação do Ensino Superior Brasileiro

Gabriel Mario Rodrigues

Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)

Gabriel Mario Rodrigues Presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) e Secretário Executivo do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular ***
Tudo o que a mente agarra com avidez e tudo em que ela se demora com singular satisfação deve ser tomado com desconfiança. (Francis Bacon, 1620)
Em seu livro Estratégia – Como empresas vencedoras dominam seus concorrentes, Michel Robert expõe o tema do desenvolvimento estratégico de uma empresa e aborda cinco condicionantes para a sua permanência, quais sejam: programa agressivo de melhora contínua de seus produtos ou serviços; programa agressivo de aperfeiçoamento contínuo do atendimento ao cliente; programa agressivo de redução de custos para o equilíbrio financeiro; programa de desenvolvimento institucional constante e obtenção de resultados compatíveis (lucro) porque sem este não poderá crescer. Tais condicionantes são essenciais para toda e qualquer organização, dentre as quais se incluem as instituições de ensino superior (IES) particulares. O setor público não possui essas preocupações porque a “mãezona” – o Estado – resolve tudo. O atual governo, além de todas as suas percepções equivocadas, mostra-se insensível não só para os problemas do setor particular – que se eternizam –, como também para a sua viabilidade, ao coibir de forma rigorosa os seus pleitos. A conjugação desses fatores poderá provocar graves problemas para as IES particulares. Enquanto isso, em países de primeiro mundo não há diferença no tratamento dos projetos educacionais públicos e privados: julgam-se os méritos e as boas iniciativas são sempre prestigiadas. Na nossa realidade tupiniquim, IES particulares de mais de quarenta anos de vida precisam comprovar, frequentemente, suas ações diante dos órgãos governamentais de avaliação e de regulação. No entanto, é importante destacar que as IES particulares não são contrárias à avaliação externa feita pelo Ministério da Educação. A avaliação institucional, de cursos e do aprendizado dos alunos e o relacionamento com estudantes e com as empresa empregadoras são a razão do dia a dia das IES particulares que são incessantemente submetidas às leis do mercado e, a todo o momento, precisam se estruturar para manter, em equilíbrio, as suas metas qualitativas e quantitativas. Por essas razões, as IES receberam com grande entusiasmo e expectativa a Lei nº 10.861/2004 que criou o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Sinaes), um poderoso instrumento para orientar as políticas públicas de qualificação educacional. Como se sabe, o Sinaes tem como conceito principal integrar três ações distintas para aferir num determinado momento uma organização educacional, com o preceito básico integrar três ações: a avaliação interna feita pela própria instituição; a avaliação externa executada pelo MEC e o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). Nesse sentido, e de forma mais ampla, a avaliação deve se basear no projeto institucional, entendido como a grande referência para a autoavaliação e para a avaliação externa e como “ponto de encontro” dessas duas dimensões do processo. Tal orientação privilegia a vocação e as características próprias de cada IES e indica que não se pode medir com a mesma régua IES com diferentes tipologias e localizadas em regiões distintas: universidades, centros universitários, faculdades e institutos. No correr do tempo, enquanto o Sinaes vai se tornando um oásis no deserto e o MEC, por não ter condições estruturais de realizar a avaliação das IES, insiste em manter um artifício matemático para desenvolver a avaliação das instituições tendo como base o Enade, o número de mestres e doutores e os índices Conceito Preliminar de Curso (CPC) e Índice Geral de Cursos (IGC). Estes – sobejamente conhecidos, provisórios e criados para “indicar” apenas que as IES precisam passar pela avaliação presencial – foram transformados, de forma perversa, em índices normativos com finalidades de regulação. Considerar que os patamares de qualidade são os mesmos, em contextos tão diversos é, minimamente, encarar a avaliação como um processo punitivo em lugar de construtivo e indicativo de políticas públicas para a melhoria e o desenvolvimento da educação no País.

10/09/2013

Prof.Roney Signorini

Como de outras vezes, o gentleman Prof. Gabriel aborda o fulcro da questão em seus artigos mas com a sempre habiual cavalheirice, em vez de desancar sobre os órgãos e autoridades. Resta saber até quando diante de sua colocação que "não se pode medir com a mesma régua IES com diferentes tipologias e localizadas em regiões distintas: universidades, centros universitários, faculdades e institutos". A teimosia legislativa vociferante é irracional, ilógico, não tem senso e portanto incompatível com a boa intenção de avaliar.

Rumo a Paris, com o futuro da educação superior na bagagem

Janguiê Diniz

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

Identificação de Riscos Psicossociais NR-01: A Triagem

Júlio Cesar de Castro Ferreira

Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

Os Silêncios Metacognitivos do Psicanalista e do Professor

Ronaldo Mota

Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

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