VI Congresso Brasileiro de Educação Superior Particular

Gabriel Mario Rodrigues

Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)

Gabriel Mario Rodrigues Presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) e Secretário Executivo do Fórum das Entidades representativas do Ensino Superior Particular ***
O juízo dos homens é mais temeroso do que o juízo de Deus, porque Deus julga com entendimento, os homens julgam com a vontade. Quem julga com o entendimento pode julgar bem e pode julgar mal; quem julga com a vontade nunca pode julgar bem. A razão é muito clara. Porque quem julga com o entendimento entende mal, julga mal, se entende bem, julga bem. Porém, quem julga com a vontade, ou queira mal ou queira bem, sempre julga mal: se quer mal, julga como apaixonado; se quer bem, julga como cego. Pe. Antonio Vieira ( Sermão do Segundo Domingo do Advento)
O Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular foi imensamente feliz ao propor para seu VI Congresso o tema “Ensino Superior no Brasil: Construindo caminhos para o amanhã”. Esta perspectiva de analisar os desafios que o futuro reserva para a educação brasileira está umbilicalmente ligada à qualidade dos recursos humanos que o país precisa formar. Também contribuir para o seu desenvolvimento, resolver seus inúmeros problemas de dar melhor qualidade de vida aos seus habitantes e sobrepujar as barreiras de nação desenvolvida. O temário completo encontra-se no site www.cbesp.com.br, onde poderá ser analisado o teor das palestras propostas. Tratam na sua essência, dentro de seus múltiplos aspectos, de uma análise profunda de como viabilizar os desafios que o país tem de resolver para expandir sua educação superior em conformidade com as metas estabelecidas pelo PNE. E com foco mais dirigido, resgatar a dívida social com os jovens oriundos de famílias com menos recursos econômicos para terem acesso à escolaridade de nível superior na sociedade do conhecimento. Podemos dizer que todos os temas foram escolhidos "a dedo" pela sua significância e impacto. A globalização da economia, um mundo sem fronteiras, as novas tecnologias, a sustentabilidade das organizações e dos estados, a realização profissional, a cidadania, as desigualdades sociais, a violência, a insegurança, o equilíbrio do meio ambiente, a qualidade da educação, a felicidade são assuntos que transitarão de uma forma ou outra em todos os painéis. Gostaríamos, entretanto, de destacar duas palestras: a magna, onde o Ministro Aloísio Mercadante falará sobre os Desafios da Educação do Brasil, e a do Professor Marcos Vianna, que mostrará como o Ensino Superior deve estar preparado para enfrentar o futuro. Relacionamos pela sua importância o painel sobre Os Desafios de Sustentabilidade enfrentados pelas Instituições de Ensino Superior Particulares no Brasil, que tem como palestrante Claudio Moura e Castro e debatedor o Prof. Antonio Carbonari e o painel sobre Regulação, Avaliação e Supervisão do Ensino Superior no Brasil, onde participam o Prof. Jorge Rodrigo Araujo Messias e a equipe técnica da Seres e como debatedores o Dr. José Roberto Covac, a profa. Yara de Xavier e o Prof. Maurício Garcia. Só quem está na gestão do cotidiano das instituições educacionais, seja ela faculdade, centro universitário ou universidade, pode aquilatar os inúmeros problemas que passam para se manterem sustentáveis. É o que vai tratar o Prof. Cláudio Moura e Castro e que está sumarizado nos itens abaixo.
  • Forte e crescente regulamentação pelo Estado;
  • Aceleração da concorrência nacional e internacional;
  • Intensas mudanças tecnológicas afetando o binômio ensino-aprendizagem;
  • Necessidade de maior Gestão Profissional na área econômico-financeira e  na área acadêmica;
  • Necessidade do financiamento  dos alunos  como condição para expansão das atividades educacionais;
  • Crescimento desproporcional de insumos - locação, segurança, tecnologia da informação, marketing, capacitação de pessoal, etc. afetando  sobremaneira os custos;
  • Percepção e entendimento do novo perfil do alunado;
  • Rápida deterioração do modelo curricular;
  • Dificuldades de integração entre o financeiro e o acadêmico;
  • Ausência de integração cooperativa e  política entre  IES;
  • Imagem perante a sociedade que não reflete o esforço despendido.
Se tivéssemos pensado estrategicamente, este deveria ter sido o primeiro painel. Com a administração superior do MEC presente, ela poderia sentir a importância de uma parceria mais efetiva com o sistema particular, voltada à superação dos desafios que o ensino superior tem. Mais propensa a enaltecer os resultados positivos do que registrar os equívocos de quem está querendo acertar, este seria, a nosso ver, um preâmbulo realista para uma análise mais concreta sobre a Regulação e Supervisão. Porque os pressupostos que lhes antecedem devem estar vinculados à lei que instituiu o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Sinaes). A Lei do Sinaes, como é chamada, foi sábia ao normatizar que, antes de tudo, a avaliação deveria respeitar a diversidade das instituições; as diferenças regionais onde as mesmas estão situadas; as desigualdades econômica, sociais e culturais dos estudantes; as especificidades de cada instituição (faculdade, centro universitário e universidade). A Lei determinou ainda que os procedimentos deveriam estar embasados na avaliação interna da instituição, que acompanharia seu próprio plano de desenvolvimento. A avaliação final estaria alimentada pela Análise do MEC e pelo Exame Nacional de Desempenho do Estudante, o Enade. A Lei foi sábia porque a avaliação educacional é de extrema complexidade. Coexistem diferentes realidades, que precisam ser amplamente dimensionadas, e há o problema prático de sua aplicação num país de imensa amplidão territorial com mais de 2.330 instituições, cerca de 30 mil cursos, que supera a frequência de 7 milhões de universitários. Como o MEC não tem estrutura para fazer este trabalho, o Inep engendrou uma fórmula matemática para viabilizar a Avaliação, segundo a qual, baseando-se num princípio estatístico, ao se examinar o comportamento de grandes grupos populacionais sempre existirão os bons, os médios e os mal colocados.  Foi nesta ocasião que o Fórum concordou com a explicação do então ministro Fernando Haddad que, por viabilidade prática, que somente as instituições contempladas com notas 1 e 2 (as mal colocadas) é que participariam da avaliação presencial conforme determinava a Lei. Daí nasceu a fórmula que criou o Conceito Preliminar de Cursos (CPC) e o Índice Geral de Cursos (IGC). Baseados no frágil Enade, um exame de 4 horas para ver o que o aluno aprendeu em 4 anos de curso, onde o mesmo não tem compromisso algum com o resultado,Só basta assinalar sua presença. O péssimo em tudo isso é que a divulgação dos resultados pela mídia se baseia nestes índices preliminares. E o pior é que eles se tornaram definitivos porque o MEC, antes de efetivar as avaliações presenciais, toma medidas de caráter punitivo, restringindo direitos das instituições. É importante acrescentar que o critério do ranking criado por essa prática também não é justo, porque privilegia as instituições que recebem os melhores alunos, oriundos da rede privada de educação básica, e que têm a possibilidade de estudar no período diurno, em detrimento dos alunos que estudam à noite e precisam conciliar seus estudos com uma árdua jornada de trabalho. A nosso ver, em que pese a abertura no relacionamento e a participação do setor em conjunto com o Ministério da Educação em várias frentes de trabalho, o MEC ainda não se sensibilizou com as diversas solicitações do Fórum para que essa interpretação equivocada fosse reanalisada. É questão de justiça. É uma discussão técnica que tem no painel sobre Regulação, Avaliação e Supervisão o local apropriado para se tirarem as dúvidas de seu entendimento. O VI Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular será realizado no período de 6 a 8 de junho de 2013, em Foz do Iguaçu/PR.

Rumo a Paris, com o futuro da educação superior na bagagem

Janguiê Diniz

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

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Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

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