Fernando Veloso* Folha de S.Paulo, publicado em 8 de agosto de 2011 ***
Embora o acesso ao ensino fundamental tenha sido praticamente universalizado no Brasil, isso ainda está longe de ser atingido no ensino médio. Cerca de 15% dos jovens entre 15 e 17 anos estão fora da escola, e pouco mais de 50% estão matriculados no ensino médio. Os demais ainda cursam o nível fundamental. Além disso, a taxa de conclusão do ensino médio é baixa. Na faixa etária entre 25 e 34 anos, apenas 38% completaram esse nível. Pesquisa realizada por Marcelo Neri investigou as razões para a evasão escolar no ensino médio, por meio de perguntas feitas diretamente a jovens que estão fora da escola e a seus pais. Dentre as razões apresentadas para a evasão escolar, a mais importante foi falta de interesse. Esse resultado é surpreendente, já que embora a qualidade do ensino médio seja muito baixa, a elevação salarial obtida com sua conclusão é expressiva, correspondendo a um aumento de mais de 30% em relação ao salário de alguém que fez apenas o ensino fundamental. Além disso, a conclusão do ensino médio é condição necessária para o acesso ao ensino superior, o que propicia um incremento de renda bem mais elevado. Esse resultado nos coloca o seguinte paradoxo: dado que o retorno monetário em concluir o ensino médio é tão elevado, como explicar as baixas taxas de matrícula e conclusão nesse nível de ensino? Uma possibilidade é que, para o grupo desses jovens que estão fora da escola, o ganho salarial gerado pela conclusão do ensino médio seja menor que essa média (30%) devido às suas condições socioeconômicas desfavoráveis. Outra possibilidade é que os jovens não tenham informações sobre o retorno monetário associado a uma maior escolaridade. Estudos recentes feitos em países em desenvolvimento ajudam a entender essa questão. Os resultados mostram que as percepções dos jovens sobre os ganhos salariais decorrentes de uma maior escolaridade afetam de forma significativa sua decisão de frequentar o ensino médio. No entanto, os jovens e seus pais subestimam, em geral, o retorno monetário associado a uma maior escolaridade de nível médio. Experimentos realizados por economistas, dentre eles Robert Jensen, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, mostram que jovens que tiveram acesso a informações sobre o retorno monetário associado à conclusão do ensino médio elevaram suas expectativas de aumento salarial. Em função disso, alargaram sua permanência na escola. Esses resultados indicam que fornecer informações aos jovens e a seus pais sobre os aumentos salariais proporcionados pela educação pode ser uma forma eficaz de elevar a matrícula e as taxas de conclusão desse nível de ensino. FERNANDO VELOSO, 44, é pesquisador do IBRE/FGV fernando.veloso@fgv.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

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Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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Júlio Cesar de Castro Ferreira

Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

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Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

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