Profissionais de diversos segmentos questionam o impacto da AI (Inteligência Artificial) no ambiente profissional, nos últimos anos. Notícias reais ou hollywoodianas despertam o imaginário, a curiosidade e o medo, além da ansiedade.

IA é considerada o grande motor da nova revolução industrial. As últimas revoluções industriais afetaram principalmente trabalhadores com menor grau de formação escolar e que tinham como principal força, o aspecto físico. Diferentemente das demais, acredita-se que esta nova mudança impacte igualmente as diferentes cadeias de força de trabalho, do físico ao intelectual. Possivelmente por isto, o debate seja tão instigante.

Estudos realizados por diversas consultorias internacionais coletaram dados de diferentes países e cenários econômicos. As pesquisas apontaram o mesmo desfecho. Haverá sim, fechamento de vagas e desvalorização de profissões ao mesmo tempo que esse fenômeno gerará diversas outras oportunidades. A divergência aparece apenas quando se tenta apresentar o resultado entre o encerramento das atividades e gerações de empregos.

Fato é que a IA está mais presente nos cotidianos pessoais e profissionais do que imaginamos. As inserções da Inteligência Artificial nos produtos e serviços avançaram mais rápido do que as discussões. Vivencio, por exemplo, como professor e cientista, que a concorrência das minhas aulas não é mais contra outras universidades, mas sim com as plataformas de vídeos que disponibilizam os melhores conteúdos que se possam ter em qualquer parte do mundo.

Os vídeos das plataformas são traduzidos automaticamente para a maioria dos idiomas graças as soluções eficazes de IA que sugerem de maneira assertiva assuntos de forma personalizada ao usuário. O conhecimento sobre qualquer assunto, mesmo fora da universidade, sofreu uma universalização sem precedentes. O meu saber e prestígio são diretamente afetados pela concorrência proporcionada pela ciência que eu mesmo ajudo a produzir: IA. Por ser uma tecnologia de propósito geral, ou seja, alta usabilidade em diferentes campos de aplicação, sendo o direito, saúde, educação, dentre outros, o efeito é perceptível mesmo para um profissional menos atento.

Sempre quando me perguntam, "IA vai afetar minha profissão?", respondo que sim. A pergunta mais adequada para este momento é o quanto cada um de nós está preparado para se adaptar e usar a tecnologia em benefício próprio. A história está sempre nos ensinando com o passado. Na última grande revolução proporcionada pelo advento tecnológico da eletrônica e dos softwares de computadores, houve essa mesma inquietação. O desfecho foi que profissionais que não aderiram as mudanças tecnológicas e seus produtivos softwares, foram de fato bastante prejudicados na realização de suas atividades, mas aqueles que se adaptaram puderam usufruir dos benefícios inovadores.

Telma Woerle de Lima Soares
Professora e pesquisadora do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás

 

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Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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