Formação de talentos para os desafios dos novos tempos

Gabriel Mario Rodrigues

Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)

“O desemprego não desaparece de repente. Para que a situação melhore, não basta haver investimentos, é preciso melhorar as escolas e a formação das pessoas.” (Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República e sociólogo)

Desde abril do corrente ano, cerca de 66 milhões de pessoas receberam o Auxílio Emergencial decorrente da situação motivada pela parada total das atividades por causa do coronavírus. Contando-se o número de pessoas de cada família, o benefício atingiu mais de 126 milhões de pessoas, cerca 60% da população.

Na realidade, assim como fez no resto do mundo, a pandemia atingiu a economia e desestabilizou a maioria dos negócios com as atividades que envolviam áreas de todo os matizes. Daqui para frente, para que este auxílio não se torne definitivo, a sociedade, o estado, os estudiosos e cientistas, os empresários e a universidade deverão buscar entre seus cérebros privilegiados soluções para haver trabalho e emprego e, consequente, desenvolvimento no Brasil. Caso contrário o país quebra!

Consequentemente, a preparação de recursos humanos agora deve ser estratégica, pois a formação profissional tem que estar alinhada também, para atender às transformações tecnológicas de um mundo completamente diverso do atual. Por isso, temos batido sempre na mesma tecla, de que, se o Brasil quiser almejar estar entre as 10 nações mais desenvolvidas e prósperas, seu sistema educacional público também deverá ter este anseio, porque, para crescer ou se desenvolver em qualquer plano que se faça, uma das estratégias será a qualidade da educação.

Em artigo anterior, citei o Prof. Cristovam Buarque que escreveu que a pretensão de ser sempre campeão de futebol é anseio nacional, mas em educação, até hoje ninguém insistiu nisso. E também, que não temos consciência do papel da educação como recurso de progresso nacional. Cada aluno que abandona a escola é um cérebro a menos sem formação. É uma perda para todo o país e não somente para o jovem e sua família.

Provocado sobre a mesma questão, o prof. Eduardo Giannetti da Fonseca mostra a responsabilidade do governo e da sociedade em empreender iniciativas para que a formação do capital humano promova processos de ensino e aprendizagem condizentes com os anseios e necessidades do país. E, falando sobre o futuro, não deixa de citar que a melhoria da qualidade do ensino é um dos pilares de uma nação bem construída (o outro é o cuidado com o meio ambiente).

Ele acredita que as classes alta e média valorizam a educação como uma das portas – talvez a única – para o sucesso pessoal e para o país seguir numa rota de crescimento saudável e expressivo. Porém, dá exemplo dos estudantes descendentes de asiáticos, cuja população corresponde a 3% da população paulista e que obtém 12% das vagas disponibilizadas no Fuvest. As famílias vieram para o Brasil sem nenhuma vantagem ou facilidades e seus filhos sem privilégio algum, fizeram a mesma escola pública dos paulistas e por que então obtiveram melhores resultados?

“A explicação é que as famílias orientais têm a tradição e a cultura de dar todo o suporte no dia a dia: além de acompanhar a aprendizagem e cobrar resultados, elas incutem na criança a necessidade de tirar o melhor proveito da oportunidade que estão tendo de estudar.”

A importância da integração entre a escola e a família é fundamental e crucial para o bom resultado escolar, sendo tema desenvolvido por diversos autores, entre eles, o Prof. Cícero Barboza, doutorando em Educação Escolar pela Unesp de Araraquara. Para contextualizar esta visão, replico trecho de seu artigo.

“Acredita-se que a família é a base principal da criança, fornecendo proteção, amor, conhecimentos e valores. Dessa forma, passa a ser a primeira a estabelecer contanto de interação do indivíduo com o meio social, através das relações, experiências familiares que são responsáveis para a formação do caráter dentro do âmbito familiar, escolar e social, pois é na família a primeira escola da criança, ficando o professor para dá continuidade nos aprimores da vida.

Percebe-se que quanto mais a família participa mais eficaz é o trabalho da escola, pois dessa forma, cada um se dedicará as suas atribuições.”

A pandemia está mostrando todos os problemas que temos em nossas áreas específicas e cada um está procurando dar um jeito de sobreviver em seu negócio e atividade. Mas se não houver alinhamento de objetivos macroeconômicos, sociais e ambientais, no sentido de sermos um país mais harmonioso e igual, nada conseguiremos. E tudo começa com educação pública de qualidade. O grande desafio é criar esta consciência coletiva do valor da educação e como conseguir reunir e motivar gente que pensa da mesma forma.

Estou dialogando com alguns amigos sobre como avançar nesta ideia de conscientização nacional e outro dia um deles me disse “porque você não faz um World Café a respeito?”. É uma boa estratégia de colaboração para intercâmbios de ideias que pretendo desenvolver nas próximas edições. Vamos nos organizar para o Primeiro Word Educacional, que nada mais é do que uma metodologia de conversa em grupo, bastante utilizada em todo o mundo. Criada por Juanita Brown e Davi Isaacs em 19995 na Califórnia/EUA, é uma técnica muito útil para estimular a criatividade, explorar temas relevantes para o grupo e criar espaço para que a inteligência coletiva possa emergir.

Para começar, elenco os principais temas que vão servir para início de discussão:

  1. O que precisamos fazer para colocar o Brasil entre os dez países com melhor pontuação no Pisa até 2030?
  2. Qual estratégia a adotar para conscientizar e fazer essa iniciativa criar um impacto na sociedade civil organizada, utilizando ações motivadoras para que isso aconteça?
  3. Como sensibilizar os poderes constituídos – Congresso Nacional, Poder Executivo e Poder Judiciário – e, principalmente, o sistema educacional para aderir, apoiar e ajudar a implantar a estratégia melhor?
  4. Como sensibilizar as famílias da importância da educação, para que possamos melhorá-la e formarmos talentos, para não continuarmos dependentes do resto do mundo em tudo?
  5. Promover um Campeonato Nacional de Educação, onde todos vão lutar para se classificarem nos melhores lugares e conseguirmos com o tempo ganhar o Campeonato Mundial.
  6. Levantar quanto se gasta em educação, como se gasta e quanto seria o custo para implementar a estratégia e ações selecionadas.

Esses temas podem ser melhor qualificados, melhor definidos e também ser substituídos por outros mais estratégicos, mas sem perder o foco de que precisamos com urgência mudar a educação brasileira para melhor e assim não perdermos o bonde da história.

Todos unidos será mais fácil enfrentar esse desafio! Quem se habilita?

06/10/2020

Wandy Cavalheiro

Estou dentro.o que sempre me incomodou e como sensibilizar a familia sobre o valor da educação. Cabeças pensando junto sempre agregam mais valor.

10/10/2020

valter Stoiani

Formar talentos ou descobri-los ? Ou ainda se empenhar numa difícil missão de conseguir ambas as façanhas. Há um consenso geral de que há necessidade de se fazer algo muito importante e grande para transformar a história da educação no Brasil, para que ela tome um rumo construtivo de maneira rápida , para recuperar o tempo perdido. Porém a hipocrisia,ignorância , egoísmo e arrogância de nossos governantes , impedem a busca e a construção de uma nova realidade para a educação. A conscientização com bem diz o Prof. Gabriel , seria um caminho dos mais promissores. Porém há um equivoco em confundir conscientização com conhecimento do problema. Conscientizar é muito mais do que saber. É ver com sabedoria não só o problema mas também as soluções do mesmo e os recursos necessários para supera-lo e também tomar iniciativas para realização. Um World café ou um Word café , pode ser a solução , pois como entendemos que a comunicação pela palavra em âmbito universal ou coletivo , poderá nos ajudar a solução. Sabemos hoje que ninguém em sã consciência domina, e conhece, o tema universal e complexo da EDUCAÇÃO. Portanto nos resta uma associação , nos unirmos, em um grupo de pessoas interessadas no assunto e com alguns saberes relacionados ao assunto , para numa roda de conversa podermos CRIAR , adquirir, uma conscientização da realidade educacional e do que poderia ser feito para recuperarmos o tempo perdido. Talvez a maior invenção da humanidade tenha sido para a época primeva , a criação de uma roda mecânica. Talvez tenhamos que descobrir uma nova roda , uma ferramenta, não mecânica, mais de ideias criativas , construtivas e eficazes para atingir estes objetivos. A criação de uma roda de conversa criativa , um Word-World – Café ou seja Uma linguagem-universal-criativa, que poderia nos dar uma ideia do que fazer , para que fazer e como fazer a transformação de uma educação enferma em uma educação saudável e promissora. Pois somente uma inteligência coletiva poderá ter a força necessária para cumprir a missão.

Rumo a Paris, com o futuro da educação superior na bagagem

Janguiê Diniz

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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Júlio Cesar de Castro Ferreira

Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

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Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

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