Precisamos ou não de heróis?

Antonio de Oliveira

Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001) antonioliveira2011@live.com Instagram: @prof.antoniooliveira

Antonio OliveiraAntônio de Oliveira Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001) antonioliveira2011@live.com *** “Infeliz a nação que precisa de heróis”, escreve Bertold Brecht. A fragilidade dos humildes clama aos céus. Em tese, o dia a dia de uma vida dedicada é considerado um valor. Ou: o valor. Na prática, boas obras não se destacam na mídia. Também, nem dão ibope. Santos canonizados, vemo-los incomuns, dando-nos a impressão de que se fizeram santos depois de mortos ou já houvessem nascido predestinados. Cria-se, no imaginário, uma auréola, atribuível apenas a uns poucos eleitos. Enquanto isso, “Juntos do sólio e da opulência opima”, com um salário miserê de R$24 mil, “mil párias disputando aos cães um osso” (poeta Raimundo Correia): escravizados, escabelo debaixo de pés opressores. Ser santo não significa ter sido perfeito. É verdade que há uma encumeada de santos notáveis, como esses cinco “Santos que abalaram o mundo”, conforme seleção de René Fülop Miller: S. Antão, S. Agostinho, S. Francisco de Assis, S. Inácio e Santa Teresa. No romance O Advogado do Diabo (1959), Morris West leva à reflexão o prefeito da Congregação para a Causa dos Santos. O Cardeal está para enviar monsenhor Blaise Meredith a um lugarejo do Sul da Itália, a fim de colher dados para a beatificação de um cristão falecido com odor de santo: “Um número demasiado grande de santos pode desacreditar a santidade. Por mim, sempre julguei que nossa função nesta congregação... era antes não os colocar no calendário litúrgico, mas conservá-los fora dele”. A comemoração litúrgica de Todos os Santos inclui “todos os santos e santas de Deus”. A santidade em pessoa, como uma Irmã Dulce, mora ao lado, ainda que eclipsada pela onda de violência destacada pela mídia. Os políticos podem fazer mais que uma santa Irmã Dulce. O que ela fez, e fez despojadamente, foi suprir, na medida do possível, as muitas lacunas de nossas autoridades legislativas, executivas e judiciárias. Que nem sempre olham de fato para quem precisa. Já imaginaram um político canonizado? Faço votos.

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Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

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