Non Scholae Sed Vitae Discimus

Gabriel Mario Rodrigues

Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)

Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues Presidente do Conselho de Administração da ABMES *** “As atividades dos mais variados temas são trazidas pelos professores e cada aluno exerce a autonomia de escolher o que mais lhe interessa, de trabalhar em grupo ou sozinho. Assim, podem se dividir entre as mesas ou até mesmo aprender ao ar livre.” (Prof. José Pacheco - Escola Vila das Aves – Portugal) Cursei o primário, o ginasial e o colegial no Santo Alberto, escola que nem existe mais. Dirigida pelos Carmelitas, situava-se entre o bairro da Liberdade e o de Bela Vista, em São Paulo capital. Alguns padres lecionavam e um deles sempre desafiava os alunos a dizerem quem era o autor ou a traduzir uma frase latina, mantida em moldura na biblioteca, com os dizeres do título deste artigo, que em tradução livre é: “Não aprendemos para a escola, mas para a vida”. Dia desses deparei com interessante e intrigante assunto abordado por Karina Balan Julio, no Meio & Mensagem, sobre a School of Life, criação de uma dupla de filósofos, Alain de Botton e Roman Krznaric, em Londres, já há dez anos. A proposta da instituição é ensinar habilidades sociais atemporais, não tão voláteis quanto as habilidades técnicas que mudam a cada nova tecnologia. Em entrevista de Roman Krznaric, dada para Karina, sabe-se que, com unidades em mais de dez países, inclusive no Brasil, desde 2013, a escola vem surfando no crescimento da indústria de autoajuda e conquistou o universo corporativo, oferecendo, além de oficinas, livros e cursos intensivos aos consumidores finais, consultorias e treinamentos para empresas. E o Intensivo The School of Life de 2019 já está programado para o período de 30 de março a 3 de abril. Acesse para saber mais. Registro que o projeto The School of Life não é de jeito nenhum uma proposta de curso superior/universitário e nem quer concorrer com eles. Tem outro propósito: o de ser uma escola para a vida com seus workshops oferecidos para clientes finais e empresas com aulas sobre objetivo profissional, resiliência, felicidade e sociabilidade entre outras. Como se diz por aí, soft skills para um mundo conectado e conturbado. Tudo decorrente do enfraquecimento coletivo de habilidades sociais, por conta das redes sociais, e da necessidade de resgatá-las com o avanço da inteligência artificial. A instituição adotou esse nicho cuja missão é “ajudar pessoas a viverem a vida que elas querem, e não a vida que os outros querem para elas”, revela David Baker[1], em entrevista a Rafael Carvalho, do portal www.napratica.org.br. Como? Dando apoio e guiando os alunos em passos pequenos e experimentais fora de suas zonas de conforto. Para Baker, educação, em sua essência, é a celebração da curiosidade, que deve ser levada para a vida inteira. Inúmeras vezes, segundo ele (e as teorias da criatividade...), as melhores ideias surgem quando se juntam ideias completamente diferentes de disciplinas também completamente diferentes. A discussão pode ir longe sobre a efetividade e a realidade formativa dos estudantes em cursos superiores, onde nem sempre se consegue romper os desafios encontrados ao longo da vida pessoal e na carreira. Diferentemente da School of Life que tem por objetivo desenvolver inteligência emocional através da cultura e ensinar seus alunos a viver bem, oferecendo aulas livres, muitas vezes sobre temas inusitados, e que não têm a pretensão de mirar um público-alvo específico. Assim, não existe formação prévia como requisito. Segundo Baker, a escola é voltada para qualquer um que esteja interessado em viver uma vida mais plena, gratificante e verdadeira. Por isso, os cursos não são pautados diretamente por disciplinas (filosofia, psicologia, arte, história…), e sim pelas questões e reflexões que fazem parte do nosso dia a dia: ‘Como equilibrar vida pessoal e trabalho’, ‘Como escolher um parceiro’, ‘Como ser mais criativo’ e ‘Como tomar decisões melhores’ são algumas das aulas disponíveis. Tenho por hábito refletir e levar meus interlocutores a discussões sobre inventividade, criatividade, empreendedorismo como forma de inovação. Estamos cercados pela tecnologia e vivemos em um mundo no qual ela é vista, frequentemente, como a coisa mais importante. Mas o que aconteceu com nossa inteligência emocional? Como a tecnologia mudou nossa relação com os outros e com o mundo? Botton e Krznaric com a School of Life querem fazer com que as pessoas aprendam sobre relacionamentos ou falem sobre temas difíceis, como a realização no trabalho e até sobre a morte. O input que tiveram foi ensinar coisas que são habilidades para a vida, buscando abarcar tópicos universais. Foi algo como juntar a fome com a vontade de comer. Segundo eles (assim como para Baker), a curiosidade é a competência que traz mais força a alguém. É a habilidade de olhar ao redor, investigar, explorar e descobrir novas coisas, não ser monotemático, mas ter interesses diversos e sobretudo autonomia. Essa é a chave para a sobrevivência em um mundo em constante e acelerada mudança e que exige adaptabilidade/resiliência dos profissionais. Na entrevista para o Meio & Mensagem, Krznaric abre o jogo sobre criatividade:
“Acredito que uma das grandes desgraças do Renascimento e da cultura que criamos nos últimos 5 mil anos é a ideia de que você nasce criativo e de que Michelangelo, por exemplo, nasceu com um dom genético ou divino. Esta ideia é um desastre, pois faz com que as pessoas parem de ser criativas, parem de querer desenhar, pintar ou cantar e ter ideias, por exemplo. No final dos anos 60 a proposta de que a criatividade poderia ser ensinada se popularizou. Concordo com isso e acho que você pode nutrir a criatividade com o tempo. Mas, ao mesmo tempo, também vejo que criatividade é sobre espontaneidade. Hoje em dia baseamos muito nossas vidas em agendas e calendários eletrônicos, e isso impede que sejamos mais inventivos”.
Para ele, e por consequência para School of Life, a ideia de que o trabalho precisa ter propósito é nova sob muitos aspectos. A busca desse propósito se dá quando teve início a cultura de valorização dele (propósito) em seu ambiente (de trabalho). Segundo Krznaric,
“não é novidade que o ensino formal nas escolas e universidades não dá conta de todos os desafios que encontramos ao longo de nossa vida pessoal e na carreira. Foi com a intenção de preencher essa lacuna que surgiu a School of Life, escola que tem por objetivo desenvolver inteligência emocional através da cultura e ensinar seus alunos a viverem bem”.
E o leitor estará se perguntando: e daí? Que proveito a universidade pode tirar da experiência da School? Acredito que seja uma imersão em inteligência emocional, ideal para quem busca transformações e mudanças em cursos com mais significado. Como essa habilidade de reconhecer e lidar com sentimentos, tanto seus quanto aqueles das pessoas com quem se convive, não está relacionada diretamente com o nosso lado intelectual, saber usá-la nos torna emocionalmente aptos para o convívio social frente às mais diversas situações. Pensar duas vezes antes de tomar uma decisão, ser empático com um colega que pensa diferente, receber e absorver feedbacks de forma justa são algumas habilidades que devem ser estimuladas para alcançar o desenvolvimento das soft skills. Hoje, mais do que nunca, a frase latina de Sêneca, um dos mais célebres advogados, escritores e intelectuais do Império Romano, é profética. Nossa missão é preparar o aluno para a vida. _______________________________________ [1] David Baker, escritor e ex-editor da famosa revista inglesa Wired, também é cofundador da School of Life no Brasil, que tem unidades no Rio de Janeiro e em São Paulo.

21/11/2018

Harry Fockink

Será que a School of Life forma para a vida? Estamos saindo da era da banalização, da superficialidade, da felicidade efêmera a qualquer custo para entrar na da responsabilização, na era de fazer o inexorável sofrimento valer a pena, por temos um propósito de vida? Artigos como os que seguem e o imenso sucesso do Jordan Peterson são bons indicativos disso. https://dailypositiveinfo.com/the-sooner-you-accept-these-13-brutal-truths-about-life-the-better-your-life-will-become/?fbclid=IwAR0DIh-M35JopquC0n1gl9W2Dur6XqOr6nsaWbTdilTzEf8LQDigbdJF1vM https://www.publico.pt/2018/11/17/culto/entrevista/jordan-b-peterson-1851444?fbclid=IwAR1sXwquRhhamMgbgLBkzkCaJo93Ff1PwoJV-jI9vOv2UEyFAL1Btoe84Ik

21/11/2018

Andrea Fassina

Perfeito seu artigo. Eu só incluíria ainda o curso de Felicidade. As novas gerações estão muito tristes. Prova disso é o recorde de matrículas em curso de Felicidade de Harvard. Alguns artigos do sonoticiaboa.com.br http://www.sonoticiaboa.com.br/2018/11/20/professor-de-felicidade-de-harvard-grava-mensagem-para-o-sonoticiaboa/

Rumo a Paris, com o futuro da educação superior na bagagem

Janguiê Diniz

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

Identificação de Riscos Psicossociais NR-01: A Triagem

Júlio Cesar de Castro Ferreira

Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

Os Silêncios Metacognitivos do Psicanalista e do Professor

Ronaldo Mota

Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

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