Educação como objetivo de desenvolvimento sustentável

Gabriel Mario Rodrigues

Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)

Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues Presidente do Conselho de Administração da ABMES ***
“É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade.” (Emmanuel Kant 1724-1804)
Em 1980, o PIB brasileiro era maior do que a soma dos PIBs da China, da Coreia do Sul, da Malásia, de Cingapura e do Vietnã e hoje só o da China é quase sete vezes maior do que o do Brasil. Não é por acaso. Estes países investiram em educação e conseguiram transformar e aperfeiçoar sua pujança econômica. No Brasil, desde o célebre “Manifesto dos pioneiros pela Educação Nova”, de 1932, que defendia a educação como uma função essencialmente pública e sem privilégios econômicos de uma minoria, estamos ainda muitos distantes de fazer pela educação uma ação estratégica para o desenvolvimento econômico e social nacional. A epígrafe deste artigo é do século 18, mas sua atualidade é incontestável. E, por enfatizar as transformações educacionais em curso, trazemos à reflexão o especial da Folha de S.Paulo, publicado como encarte na edição de 29 de abril. Trata-se da plataforma “Educar para o novo”, apresentada pelo SAS Plataforma de Educação[1], que aborda os desafios emergentes atuais: a Base Nacional Comum Curricular; as Competências Socioemocionais; o Corpo docente inovador e a Tecnologia como referencial de apoio. O tema inicial é a Base Nacional Comum Curricular – BNCC – que pretende alterar o rumo da educação no Brasil, promovendo significativas transformações na comunidade escolar. Legislação aprovada no final de 2017, define um conjunto de diretrizes essenciais e indispensáveis à educação infantil e a fundamental. Elas deverão orientar os currículos de todas as escolas do país até 2020, com o objetivo de promover equidade no ensino e diminuir desigualdades educacionais. As diretrizes referentes ao ensino médio ainda estão em discussão. Educadores experientes alertam que gestores e professores precisam desde já estudar o documento e iniciar o processo de adaptação em suas escolas. A BNCC propõe uma nova visão sobre o protagonismo dos alunos e o desenvolvimento de habilidades socioemocionais essenciais para o enfrentamento das questões do século 21. Será preciso rever currículos e metodologias, adequar materiais didáticos e investir na formação de educadores e na tecnologia – alguns dos desafios a serem superados para que a base transforme, de fato, a educação do país. Entretanto, para o saber chegar ao aluno, o desafio será o novo professor. A importância da formação nas licenciaturas e pedagogia, licenciados/profissionais que exercerão a liderança na oferta do conhecimento, sobretudo voltado para a formação de recursos humanos para a nação. Da mesma forma que ocorreu nos países líderes em educação (Canadá, França e Finlândia), com currículos e conteúdos revistos, levando o aprendiz rapidamente ao exercício profissional. O professor deverá se reinventar e pensar de forma diferente. O ensino enciclopédico, à base de muito conteúdo para ser decorado tende a acabar, uma vez que muito pouco acrescenta ao desenvolvimento e à inserção do educando no século 21. Essa mudança pede a adoção de novas ferramentas pedagógicas. Nem todos os docentes do país, porém, estão preparados para o desafio. Por isso, a escola será fundamental para auxiliá-los. De acordo com o projeto, “o sucesso da base depende da formação adequada dos docentes”. Os professores não têm sido preparados adequadamente para a realidade da sala de aula. Essa é uma grande preocupação dos especialistas e também do governo federal, que lançou, em 2017, a Política Nacional de Formação de Professores, com o objetivo de melhorar a formação dos educadores e para a criação de uma Base Nacional Docente, com conteúdos curriculares comuns aos cursos de licenciatura. Assim, aplicando-se a nova BNCC como fundamento para educação complementar no Ensino Médio e, para frente, o que se espera é que em todos os quadrantes nacionais seja ela promissora muito além do que já vimos, desde a colônia, objetivando um salto com a complementação das competências socioemocionais, com o uso de tecnologias que efetivamente potencializem o ensino. Evidentemente, neste novo momento educacional, a tecnologia digital é a grande aliada do professor, porque vai ser a ferramenta apoiadora no diagnóstico do perfil do aluno, nas atividades online, nos recursos multimídias e no portal de conteúdos. Essas ferramentas ajudam aluno, professor e gestor a tornarem a escola um espaço dinâmico e alinhado ao presente e ao futuro com conhecimento, curiosidade intelectual, senso estético, comunicação e compartilhamento, cultura digital, autogestão e projeto de vida, argumentação, conhecimento e cuidado de si, diálogo e cooperação, além de autonomia e responsabilidade. Conseguiremos trabalhar todo esse cenário? A proposta é a de uma transformação na atuação do educador: sai de cena o detentor único do conhecimento (que hoje permeia toda a sociedade nas mais diferentes estruturas e nos mais diferentes aparatos tecnológicos) e entra o mediador, o tutor, devidamente formado, preparado para isso. O professor vai precisar reinventar-se e, na perspectiva da educação continuada – exigência da sociedade pós-capitalista –, atualizar-se constantemente. No ensino particular e no público dos grandes centros urbanos não vai ser fácil, mas com o interesse das comunidades este grande desafio poderá se tornar viável. Porém, nas escolas das pequenas cidades, se não houver apoio das famílias locais e das comunidades próximas, vai ser mais uma expectativa frustrada e uma meta inconclusa. Tudo será possível só quando a educação for alavanca de desenvolvimento sustentável e objetivo de estado.
[1] Fundado em 2004, o SAS é uma plataforma de educação que desenvolve conteúdo, tecnologia e serviços de excelência para mais de 700 escolas e 230 mil alunos em todo o país. Da educação infantil ao ensino médio, o SAS oferece às suas escolas parceiras soluções educacionais. Disponível em: http://novo.portalsas.com.br.

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Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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