Criatividade para o futuro da carreira docente

Gabriel Mario Rodrigues

Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)

Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues Presidente do Conselho de Administração da ABMES ***
“O espaço escolar será mais para uma questão humana de socialização, criar tarefas para equipes, mas não para adquirir conhecimento. Colocar laboratório de informática em escolas sem pensar no futuro é como jogar um balde de água doce no mar, o resultado será nulo.” (Pesquisador Vanderlei Martiniano, do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento em Neurociência Aplicada – França)
Todas as atividades humanas, empresarias e socioambientais estão, cada vez mais, sendo pressionadas pelas tecnologias da informação e comunicação. Em todas as áreas há mudanças que afetam a vida das pessoas e vão influir no seu modo de conviver, trabalhar e aprender. O mundo está em constante transformação e o que foi nunca mais será. Por esta razão, tenho convocado os amigos para refletirem sobre como será o sistema de ensino aprendizagem em todos os níveis e como as instituições educacionais vão precisar se estruturar para responder a este desafio. A uma observação feita de que nada escrevi sobre o desempenho do professor diante desta nova realidade é que comento a questão adiante. Deixando de lado os profetas do apocalipse com seu pessimismo congênito, que pintam um futuro tenebroso para a humanidade, não podemos esquece, que todo progresso alcançado até agora nas ciências, nas artes, na economia e na   tecnologia é obra humana. Tudo que existe foi atingido pelo domínio do conhecimento dos profissionais formados nos sistemas educacionais existentes. Devemos levar em consideração que o professor em todos os níveis foi de papel preponderante para que os estudantes alcançassem seus laureis acadêmicos, científicos ou pessoais. Há, porém, uma constatação da qual ninguém poderá fugir: o sistema intermediado pela comunicação oral está com os dias contados. A tecnologia está transformando tudo, como conta em sua palestra o Indiano Prof. Sugarta Mitra sobre a Aprendizagem do futuro.   [embed]https://www.youtube.com/watch?v=-Au9KdWgjU8&feature=youtu.be[/embed] Ele relata algumas experiências que realizou com alunos de diferentes aldeias indianas para analisar como aprendiam a manusear o computador e aprender Química e Inglês. Seu método era largar o computador na classe, sem explicar nada, e aparecer 2 meses depois. Êxito total e com uma mensagem final: “Daqui a pouco ninguém vai precisar ir à escola para aprender alguma coisa”. Imagine então se o aluno tiver um tutor que o oriente e o estimule a progredir, como o Prof. Mitra fez, conseguindo 200 avós em Londres que através do Skype conversavam todos os dias com jovens indianos para treinar a língua. (Também há no Brasil “A nuvem da Vó” para ajudar o aprendizado das crianças). O que o professor precisa saber é que, se a estratégia da comunicação oral não for mais necessária, ele precisará utilizar os recursos da criatividade para ter êxito profissional. A geração de ideias é uma habilidade subutilizada. Muitas pessoas pensam que é um talento só para empresários, cientistas ou artistas. Mas é absolutamente necessário na sala de aula, como escreve a Profa. Luciana Santos, docente e coordenadora de Curso da Rede Senac EAD, cuja colaboração transcrevemos a seguir: Criatividade para o Futuro da Carreira Docente A capacidade de desenvolver a consciência histórica e de antecipar o futuro são as condições típicas somente presentes na natureza humana. É a nossa capacidade de antecipação, influencia a sobrevivência e a superação de desafios e problemas, ou seja, "imaginar o curso dos acontecimentos, inventar alternativas, calcular os riscos, finalmente, ensaiar possíveis soluções permite que, em caso de falha, ou de sumiço sejam as hipóteses e não os seus inventores" (Freymann, 2011). Mesmo com todas as tecnologias disponíveis, o que faz a grande diferença é o valor humano das interações que podem ser digitais ou presenciais, desde de que, sejam conectadas a realizações práticas, propósitos e valores comuns. O desafio é grande, mas o momento atual impõe a urgência por transformações velozes e impactantes como acontece em várias áreas e segmentos da sociedade. Destaco 4 características ou tendências importantes para o professor do futuro:
  • Professor analítico da aprendizagem (analytical teacher of learning: Em um mundo em que as tecnologias e ferramentas digitais permitem que os alunos aprendam 24 horas por dia, 7 dias por semana, de inúmeras formas, é fundamental que este processo forneça dados mais precisos sobre o perfil, engajamento, preferências e outras dimensões cognitivas que impactam na aprendizagem. No entanto, o mais importante é o professor  preparar-se para ler esse tipo de informações, para que ele possa propor intervenções significativas.
  • Professor orientador de carreira: essa é uma perspectiva cada vez mais presente e necessária na atuação docente, por permitir o desenvolvimento de diferentes habilidades e competências, associadas a trajetórias de aplicações voltadas a matrizes de carreira, o que se diferencia muito, das escadas hierárquicas dos componentes curriculares.
  • Professor influenciador digital: Esse termo foi popularizado na internet pela atuação dos youtubers, blogueiros e explodiu nas redes sociais, como Facebook, Instagram, LinkedIn. Os influenciadores produzem conteúdos acessíveis, funcionais, usando o poder na comunicação. O professor precisa compreender o potencial de transformação que está em suas mãos e usar seu capital de conhecimento e ferramentas digitais para se projetar fora da sala de aula.
  • Professor empreendedor: Por natureza o professor já é um empreendedor, ministrando aulas para diferentes escolas, perfis, disciplinas. Um professor empreendedor pode usar seus conhecimentos e experiências para projetar novos modelos instrucionais, idealizar novos produtos e serviços educacionais ou avançar na liderança de práticas e políticas relacionadas a educação.
O espaço é pequeno para apontar outras atuações para o professor e longe de achar que tais mudanças acontecem do dia para noite. A intenção é mostrar que boa parte desses quatro tópicos já acontecem no presente em algum nível de forma real e prática nas salas de aula. Assim, fica a reflexão para que o professor se reveja enquanto profissional, valorize sua história, seu capital de conhecimento e experiências e acredite que o seu papel na sociedade é de fundamental importância para o desenvolvimento de uma nação. Mas o mais importante é o exercício da Melhoria Contínua. É necessário expandir seus conhecimentos a cada momento. Esse diferencial é que faz a diferença. O que falta para isso acontecer? É o professor acreditar no seu potencial criativo, inovador e empreendedor? Mãos à obra por que a roda do tempo não para.

20/02/2018

Harry Fockink

Mesmo a desgraça tem seu lado positivo? O Brasil, mais que qualquer outro país, precisa repensar seu modelo educacional após o existente ter se tornado mero instrumento de aparelhamento da esquerda, assim essa necessidade de ter que repensar e refazer tudo tem suas vantagens?

30/04/2018

Silvio Bottrel Guimarães

Não existe outra opção. O ensino necessita se modelar em todas as etapas da formação, buscando a utilização das ferramentas e recursos disponíveis, necessárias para formação do conhecimento, de forma menos traumática e focado na formação do conhecimento onde o aluno é o mais responsável neste processo.

03/05/2018

Maria Carmen Tavares Christóvão

“Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.” – João Guimarães Rosa, em ‘Grande Sertão: Veredas’.

Rumo a Paris, com o futuro da educação superior na bagagem

Janguiê Diniz

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

Identificação de Riscos Psicossociais NR-01: A Triagem

Júlio Cesar de Castro Ferreira

Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

Os Silêncios Metacognitivos do Psicanalista e do Professor

Ronaldo Mota

Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

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