O Brasil tem condições de encontrar soluções para seus males

Gabriel Mario Rodrigues

Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)

Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues Presidente do Conselho de Administração da ABMES ***
“Embora os destinos da Economia estejam em suas mãos, tudo leva a crer que os empresários se comportarão como em tantas outras oportunidades em nossa história: passarão pela cena sem dizer palavra”. (Bolívar Lamounier- Jornalista)
Muitos devem ter visto na mídia a situação vivida pelo graduado em farmácia e doutorado em Química Andreas von Richthofen, irmão da “célebre” Suzane, condenada a 40 anos de prisão pelo assassinato dos pais. Bom estudante, excelente pessoa e brilhante profissional, foi encontrado em andrajos, confuso e desnorteado pelas ruas de Santo Amaro, na capital de São Paulo. Hoje ele é um dos viciados da Cracolândia, chaga social da pauliceia e de outras cidades do mundo, de difícil extinção. No debate sobre a intervenção da prefeitura da cidade no local, arautos dizem que a solução é replicar o que a América do Norte fez há 40 anos, prendendo, sumindo e matando. Ou de atuar sem ordem judicial e internar a força como fez recentemente o prefeito João Doria. Tem ainda a linha do médico Dráuzio Varella, cuja declaração apontou que a região é consequência de marginalismo criado pela própria sociedade e que a internação deva ser espontânea, sendo forçada só em caso extremo. Na realidade, a sociedade não consegue solução para este e outros problemas, devido a divergências ideológicas dos responsáveis pelas políticas públicas e, infelizmente, isto sucede em todas as áreas: o pais está dividido. Qualquer observador desarmado que olhe para o convulsionado Brasil de hoje dirá que o país precisa de conciliação e de ter um mínimo de entendimento entre as partes em conflito antes de pensar em qualquer plano de desenvolvimento. Tolerância e serenidade são virtudes a serem cultivadas mais do que nunca neste momento. Negligenciamos demais, por muitos anos, admitindo desmandos nunca vistos. Toleramos como Jó e os acontecimentos nos pregaram uma boa peça. Levantamos a cada dia acompanhando os noticiários que mostram mais lama e lodo nas calçadas e ruas do país. Precisamos fugir do espetáculo e fazer a opção pela notícia. A repercussão do mergulho no pântano da corrupção deu alento à cidadania encurralada. No meu artigo da semana passada apresentei o escopo do projeto "Vota Certo Brasil" que objetiva criar uma consciência cívica e discutir o futuro do país. Tenho recebido colaborações. Desde quem disse que o papel aceita tudo e que o difícil é implementar, porque alguém teria de pagar a conta, já que o projeto “não é barato e precisa de especialistas”[1]. Há quem defenda o voto distrital, que permite que “o candidato faça suas propostas numa área geográfica mais restrita e a um custo menor”[2]. Até uma pessoa preocupada com o público a ser pesquisado, opinando que esse papel não seria dos educadores, mas de todos os segmentos da sociedade: “Os educadores estão sendo ouvidos há décadas através de seus posicionamentos em relação às políticas públicas em geral e há duas vertentes: - os que são da desgastada esquerda trotskista e os que não têm compromisso com nenhum posicionamento político. E que o público nosso não seria formado pelos quase 7,5 milhões de universitários, mas pela base da pirâmide, com a qual ‘é necessário falar e convencer’”[3]. Recebi outra contribuição bem desconcertante: “a universidade tem tanta coisa para fazer e muitos dizem que ela não o faz bem. No lugar de perder tempo com política, não seria melhor aprimorar a eficiência dos cursos? Se a universidade conseguisse formar o profissional que de fato amasse seu país, não teríamos os males atuais”. A maior dificuldade para quem não é redator profissional é encontrar, a cada semana, nestas quase duzentas que colaboro com a ABMES, tema para escrever. Imagine que, se o Brasil não vivesse essa crise toda, o problema que teríamos para arrumar assunto semanal. Os meios de comunicação vivem disso e quanto maior a desgraça, (crimes, roubos, estupros, desastres, destruições e roubalheira governamental etc) melhor. Mais facilidade na redação e mais faturamento no comercial. Não é à toa que a mídia impressa e televisionada no fim de semana esbaldou-se com o então desconhecido e hoje figura nacional, ex-deputado Rocha Loures. “Vai ou não delata”. E o mesmo foi na internet. Se a humanidade deixasse de se comunicar através dela, seria um colapso econômico global. As redes sociais vivem de fofocas, de comentários fúteis sobre sexo, da desgraça alheia e do mundo espúrio do entretenimento. E as postagens são passionais. Quer de centro, esquerda ou de direita, as pessoas são incapazes de ter um diálogo sério e produtivo, compartilhando experiências uns com os outros. Geralmente os grupos são formados por aqueles que pensam as mesmas coisas e da mesma maneira. A corrupção é endêmica no Brasil e desde Cabral. Para “debela-la levará décadas e só a sociedade civil poderá acabar com os desvios na Política”, diz o Historiador Francis Fukuyama em entrevista na revista Exame desta semana– edição 1139. Será que só a Odebrecht, a JBS, os deputados, os senadores e os governantes são corruptos? Os servidores da Justiça e de outros poderes, os bancos e as demais empresas são todos anjinhos? Escrevi neste mesmo lugar em 8 de março do ano passado o artigo “Criatividade para vencer os problemas da administração pública” que mostra que desde o primeiro hominídeo a constante da vida foram as crises e que a humanidade é o que é porque aprendeu a desvendar os desafios criando soluções criativas para resolver seus problemas. Para contribuir com a resolução dos problemas nacionais, no artigo anterior também expus todos os passos para começar a pensar na realização do Projeto Vota Certo Brasil. É uma campanha de mobilização nacional pela ética, pelo fim da mentira na política e no poder e por um projeto de Brasil com justiça social e desenvolvimento econômico. E, para fugir à dúvida da epígrafe deste artigo, gostaria que refletissem sobre um pensamento magistral de um aforismo de um dos maiores cérebros da Terra, Albert Einstein:
“O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.”

[1] “Há centenas de planos partidos, de institutos e grupo de intelectuais. O papel aceita tudo, o difícil é implementar, se não há gente capacitada e não há recursos, não adianta nada. Um plano desses não custa barato e precisa especialista. Quem vai pagar a conta?” [2] “Creio que teu artigo hoje foi muito objetivo e propositivo, mas me atrevo a avançar um pouco. Nosso sistema político atual não permite muita mobilidade em termos de como votar e para isso temos que propor um sistema de voto distrital onde o candidato faça suas propostas numa área geográfica mais restrita e a um custo muito menor. No distrito será fácil conhecer o candidato ou candidatos e avaliar suas propostas nas diversas organizações da sociedade civil: escolas, igrejas, clubes, associações etc. Com o sistema de hoje um candidato tem que percorrer o estado inteiro apesar de ter o seu curral eleitoral predominante numa determinada área geográfica. Mas sem mudanças no sistema será difícil implementar qualquer projeto. Todavia, a tua proposta deve ser levada a sério e discutida na ABMES e para isso precisamos fazer um exame de consciência muito sério de como nos como IES, como educadores estamos agindo para poder dar o exemplo para a sociedade. Gostei da proposta e creio que é o primeiro de muitos passos para o Brasil avançar. Mas não esqueça precisamos mudar o sistema atual antes de ensinar a votar. Se você estiver perto será mais fácil te conhecer, virtudes e defeitos, propostas e projetos o que agrega mais ou menos eleitores. Bom, muita boa a proposta. Aplausos.” [3] “Quer ouvir? Honestamente não creio que sejam os educadores e sim os segmentos da sociedade. Os educadores já estão sendo ouvidos há décadas através de seus posicionamentos em relação às políticas públicas em geral e temos então duas vertentes: os que são da desgastada esquerda trotskista e os que não têm compromisso com nenhum posicionamento político. Os primeiros agem dentro das universidades públicas e nos programas direcionados de TV, como Café Filosófico (por ex), reproduzindo um texto marxista-leninistas desbotado, ‘fazendo a cabeça’ de jovens bem nutridos $$$, que se incluem na defesa das classes sociais às quais não pertencem (em O Sangue dos Outros, Simone de Beauvoir debate bem essa questão - defender o lugar do não vivido, do não pertencimento). Os que não se posicionam politicamente apenas contribuem para que os universitários tenham melhor escolarização visando melhor empregabilidade, defendendo também o seu melhor posicionamento no mercado de trabalho. O desenvolvimento de um comportamento cidadão em relação à credibilidade do processo eleitoral, passa pelo conhecimento da formação Histórica do nosso país, tão jogada no fundo da gaveta nos projetos educacionais apresentados para a reforma do Ensino Médio. Então, esse é um ponto a ser corrigido no ensino superior: talvez pela História Econômica e Social do Brasil. Já é um passo muito grande. A plateia para esse projeto não é a formada pelos quase 7,5 milhões de universitários, apenas. Não são eles que decidem a eleição, nem mesmo o topo da pirâmide social. Quem decide, via de regra, é a base da pirâmide e é com essa base que se faz necessário falar e convencer. A violência das manifestações se dá pela articulação da esquerda atuante e sua base aliada. Faz parte do "complexo de perseguidos pela causa nobre na defesa dos menos favorecidos". As manifestações de grupos da chamada política sem partido são todas pacíficas e ordeiras. Executivo, Legislativo e Judiciário, três poderes a serem refeitos. Uma PL bem-vinda seria a da proibição de todo e qualquer político em exercício (e seus parentes até quarto grau e seus apaniguados) fosse inelegível por oito anos e, no Judiciário a Suprema Corte fosse composta por Magistrados concursados tendo todos os eleitos e concursados que obedecer um Código de Ética rígido A Comissão de Direitos Humanos, a OAB e as ONGS perdessem seu bastão despótico. Palestras, debates, seminários, vídeos, tudo muito válido desde que o formato seja adequado e palatável aos ouvidos. Como atrair esse público desejado é o grande desafio. Epílogo: o artigo é bom. Radical sim, porque o momento exige que assim o seja e ponto.”

Rumo a Paris, com o futuro da educação superior na bagagem

Janguiê Diniz

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

Identificação de Riscos Psicossociais NR-01: A Triagem

Júlio Cesar de Castro Ferreira

Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

Os Silêncios Metacognitivos do Psicanalista e do Professor

Ronaldo Mota

Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

Caso o formulário de cadastro não apareça no seu navegador, envie um e-mail para relacionamento@abmes.org.br que ficaremos felizes em atendê-lo.