jacir-venturi2017Jacir J. Venturi Coordenador da Universidade Positivo, há 46 anos é professor e diretor de escolas privadas e públicas *** Todo dia o mesmo ritual: o pai extenuado chega à noite em casa após mais um duro dia de trabalho. Seu filho, com os olhos cheios de admiração abraça-o, trocam algumas palavras sobre a escola e se despedem com beijos na face, o boa-noite e o “durma com os anjos”. Certo dia, com a voz tímida, o garoto pergunta ao pai, que acaba de chegar: — Papai, quanto você ganha por hora? O pai surpreso, desconversa. O filho insiste: — Papai, quanto você ganha por hora? O sempre ocupado pai promete uma resposta para o dia seguinte, mas se aflige com a pergunta. Passado algum tempo, dirige-se ao quarto do filho e o encontra deitado. — Filho, você está dormindo? — Não, papai! − responde o garoto. — Querido, eu ganho 28 reais por hora. O filho levanta-se da cama, abre a gaveta e entre notas e moedas, conta 28 reais. Abraça o pai com ternura e, com os olhos cheio de lágrimas, pergunta: — Você pode me vender uma hora do seu tempo? Esta conhecida e singela história, enseja a meditação sobre a disponibilidade de tempo para com os filhos, os quais, mais cedo do que se pensa, compreenderão:

a) a árdua luta dos pais pela sua sobrevivência profissional;

b) o necessário cumprimento dos deveres no importante papel de provedores;

c) que a dedicação ao trabalho é fator de realização pessoal e é modelo de responsabilidade.

Busca-se, evidentemente, a prevalência do bom senso, da medida, do equilíbrio entre a vida profissional e a vida familiar. Nesse contexto, importa mais a qualidade do afeto que a quantidade de tempo disponível aos filhos. O abraço afetuoso, o beijo estalado, a imposição de limites, o diálogo objetivo e adequado à idade, o acompanhamento do rendimento escolar, a presença nos momentos de lazer ou doença e a transmissão (pela palavra e pelo exemplo) de valores éticos e de cidadania, podem ser praticados diariamente — com ênfase nos finais de semana — por pais que trabalham cerca de oito, nove ou dez horas por dia. O consultor Gutemberg B. de Macedo dá seu depoimento em um de seus livros: “Conheço executivos bem-sucedidos que mantêm uma vida balanceada. São bons profissionalmente e, até prova em contrário, bons maridos, bons pais, bons líderes e bons cidadãos. O segredo? Saber dividir, compartimentar esses diferentes papéis. É preciso parar para refletir com profundidade. A vida é uma bênção de Deus. Desequilibrá-la é destruí-la. E destruí-la é uma espécie de estupro da própria divindade. Se Ele descansou, quem afinal você pensa que é para querer ir além”? “Devo dar segurança do meu amor” – deve ser um mantra diário de todo o pai. Significa, sim, menos lazer, menos convivência com os amigos, menos academia. Mesmo cansados, posso ir além para cumprir o papel de pai (ou mãe). A paternidade responsável é uma missão e um dever a que não se pode furtar. No entanto, veem-se nas escolas filhos órfãos de pais vivos. E, na maioria das vezes, falta de tempo é apenas uma desculpa para a sua omissão. A vida profissional, apesar de suas elevadas exigências, pode muito bem ser ajustada a uma vida particular equilibrada. É uma questão de ênfase e dosagem de tempo.

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Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

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Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

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