O mundo muda sempre e as escolas nunca mudam

Gabriel Mario Rodrigues

Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)

Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues Presidente do Conselho de Administração da ABMES ***
“Estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes” - Klaus Schwab
O Campeonato Brasileiro de Futebol - Série A pouco a pouco vai se transformando em “Torneio de Veteranos”. Pensando apenas em curto prazo, os clubes renovam suas equipes a cada temporada contratando jogadores com mais de trinta anos. Esse é o modelo do negócio futebol brasileiro: exportação dos melhores craques com 20 anos e repatriação de outros depois dos trinta e tantos. O pior é que agora estão importando argentinos e outros ex-craques bem rodados. Um dos exemplos é Didier Drogba, da Costa do Marfim, 39 anos, que já brilhou no Canadá, na Inglaterra, na Turquia, na França e até na China e que agora vai atuar no Corinthians. A miopia dos dirigentes esportivos faz com que não se perceba que podem até estar resolvendo um campeonato, porém, dessa forma, não se viabiliza o futebol brasileiro, como espetáculo e esporte das multidões. Poucos se preocupam com o futebol de base, em formar novos craques, esquecendo que nunca se resolvem problemas novos usando estratégias ultrapassadas. É o mesmo que acontece com o sistema educacional superior brasileiro.  Muitos repetem planos de ensino desvinculados das transformações tecnológicas que estão mudando as competências exigidas pelo mundo empresarial do século 21. Estamos dando sequência a um tema abordado com insistência neste Blog da ABMES, que é a Quarta revolução industrial. Sintetizando, o novo modelo representa a apropriação da inteligência das máquinas para coletar e processar informações necessárias para organizar seus processos de produção. Explicando melhor: Indústria 4.0 ou quarta revolução industrial é um termo que engloba tecnologias de automação e troca de dados e utiliza conceitos de Sistemas ciber-fisicos, Internet das coisas e Computação em nuvem. A indústria 4.0 facilita a inter-relação das "Fábricas Inteligentes" com as suas estruturas modulares, onde seus sistemas ciber-físicos monitoram os processos e criam uma cópia virtual da realidade e tomam decisões descentralizadas. Com a internet das coisas, os sistemas ciber-físicos comunicam e cooperam entre si e com os humanos em tempo real. Com a computação em nuvem, ambos os serviços internos e intra-organizacionais são oferecidos e utilizados pelos participantes da cadeia de valor. O termo "Indústria 4.0" se originou de um projeto estratégico de alta tecnologia do Governo Alemão, que promove a informatização da manufatura. A primeira revolução industrial mecanizou a produção usando água e energia a vapor. A segunda introduziu a produção em massa com a energia elétrica. A terceira apoiou-se na revolução digital e o uso dos eletrônicos e tecnologia da informação para automatizar a produção. São seis os princípios de projeto na Indústria 4.0. Esses princípios orientam as empresas a identificarem e a implementarem os cenários previstos na Indústria 4.0.
  • Interoperabilidade: a habilidade dos sistemas ciber-físicos (suporte de peças, estações de montagem e produtos), dos humanos e das Fábricas Inteligentes de se conectarem e se comunicarem entre si através da Internet das Coisas e da Computação em Nuvem.
  • Virtualização: uma cópia virtual das Fábricas Inteligentes é criada por sensores de dados interconectados (que monitoram processos físicos) com modelos de plantas virtuais e modelos de simulação.
  • Descentralização: a habilidade dos sistemas ciber-físicos das Fábricas Inteligentes de tomarem decisões sem intervenção humana.
  • Capacidade em Tempo-Real: a capacidade de coletar e analisar dados e entregar conhecimento derivado dessas análises imediatamente.
  • Orientação a Serviço: oferecimento dos serviços (dos sistemas ciber-físicos, humanos ou das Indústrias Inteligentes) através da Computação em Nuvem.
  • Modularidade: adaptação flexível das Fábricas Inteligentes para requisitos mutáveis através da reposição ou expansão de módulos individuais.
É certo que os sistemas ciber-físicos capazes de se comunicar entre si e com os humanos estão no centro da revolução em ascensão e as possibilidades de exploração desse cenário serão milhares. Na reportagem “O que é a 4ª revolução industrial - e como ela deve afetar nossas vidas”, assinada por Valéria Perasso (BBC-Brasil), Klaus Schwab, autor do livro A Quarta Revolução Industrial, publicado neste ano, sinaliza que a quarta revolução industrial, marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas, transformará o mundo como o conhecemos. A industrialização mudará de uma maneira radical e, com ela, o universo do emprego. “Os ‘novos poderes’ da transformação virão da engenharia genética e das neurotecnologias, duas áreas que parecem misteriosas e distantes para o cidadão comum”, aponta a matéria. “No entanto, as repercussões impactarão em como somos e como nos relacionamos até nos lugares mais distantes do planeta: a revolução afetará o mercado de trabalho, o futuro do trabalho e a desigualdade de renda. Suas consequências impactarão a segurança geopolítica e o que é considerado ético”. "A quarta revolução industrial não é definida por um conjunto de tecnologias emergentes em si mesmas, mas a transição em direção a novos sistemas que foram construídos sobre a infraestrutura da revolução digital (anterior)", diz Schwab. O Fórum Mundial de Davos, realizado em janeiro de 2016, trouxe uma percepção sobre o que os acadêmicos e empresários pensam quando falam da Revolução 4.0: é o espaço das nanotecnologias, dos neurotecnologias, dos robôs, da inteligência artificial, da biotecnologia, dos sistemas de armazenamento de energia, dos drones e das impressoras 3D. Importante alertar, no entanto, que tais ferramentas também serão as causadoras da parte mais preocupante desta quarta revolução, porque o fenômeno pode acabar com mais de dez milhões de vagas de trabalho nos 15 países mais industrializados do mundo. Essa é uma realidade que o setor educacional também será obrigado a enfrentar. Como prever as carreiras e profissões que vão ser demandadas a partir da revolução em curso? Já escrevi em artigo anterior que as empresas e as instituições de educação superior vão precisar se unir, para pesquisar, analisar, refletir e desenhar cenários de curto, médio e longo prazo para o impacto que já começa a ser percebido. É preciso lembrar que, além da missão das instituições, está sua própria sustentabilidade. Ou vamos esperar para quando o MEC estipular as novas Diretrizes Curriculares do Século 22?

17/01/2017

Mirian Nere Martins

Prof. Gabriel, Como profissional e professora de recursos humanos com ênfase em treinamento, desenvolvimento e educação corporativa, fico muito gratificada e saber que um líder do ensino superior com a sua experiência e importância pense assim. A educação brasileira precisa acordar dessa letargia do berço esplêndido e perceber o que está acontecendo com o mundo, seu artigo é perfeito para esse alerta, e eu espero que muitas mais pessoas do nosso setor o acompanhem, comigo o senhor pode contar, pois alguma coisa precisa ser feita, e rápido. Sugiro um benchmarking com as iniciativas internacionais e adaptá-las para o Brasil, e vamos urgentemente capacitar nossos jovens e adolescentes para essa 4a. Revolução industrial, é a grande oportunidade de melhorar o país. Obrigado por sua determinação e lucidez. Atenciosamente, Mirian Nere Martins

Rumo a Paris, com o futuro da educação superior na bagagem

Janguiê Diniz

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

Identificação de Riscos Psicossociais NR-01: A Triagem

Júlio Cesar de Castro Ferreira

Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

Os Silêncios Metacognitivos do Psicanalista e do Professor

Ronaldo Mota

Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

Caso o formulário de cadastro não apareça no seu navegador, envie um e-mail para relacionamento@abmes.org.br que ficaremos felizes em atendê-lo.