Os benefícios e perigos do uso indiscriminado da internet

Gabriel Mario Rodrigues

Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)

Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues Presidente do Conselho de Administração da ABMES ***
Vejo que a tecnologia, para a massa populacional, ainda, é uma novidade, o que lhe confere o ar de irresponsabilidade permitida. Para que hoje as vantagens venham a superar de vez as desvantagens, haveríamos de ter cada vez mais curadoria de conteúdo de qualidade, etiqueta pessoal e grupal em meios online e até controle de si mesmo sobre o uso das máquinas, para nunca deixá-las se sobrepujar ao experiencial humano. (Gabriel de Oliveira) [1]
Pai, revoltado porque sua filha adolescente recebia semanalmente anúncios de produtos infantis, resolveu acionar a comerciante. Ao receber a denúncia, o advogado da empresa logo indagou ao marketing digital por que usara esta estratégia. Conhecendo-a, solicitou a presença do reclamante, para informá-lo que, no Facebook, a menina já anunciara às amigas que ficara grávida. E, como sabem, as redes sociais, além de meio de convívio, é excelente banco de dados informacionais. Um tema que provoca muita discussão em família é o uso da internet. Quanto tempo os jovens passam ao celular? Especialmente nas redes sociais. Qual a porcentagem de uso para informação e notícias? Com quem eles se comunicam enquanto conectados? Acessam só trivialidades, vulgaridades e banalidades? A Radar Jovem, que mapeou o comportamento de jovens brasileiros de 18 a 25 anos durante 80 semanas, concluiu que eles ficam em média seis horas por dia em redes sociais nos celulares, que se transformaram, como teorizou McLuhan, em verdadeiros apêndices e extensões do corpo humano. Pesquisa da rede Passei Direto, com mais de dois mil universitários em todo o país, revelou que 75% ficam conectados até adormecer e 62,5% se conectam assim que acordam. Em todo o mundo, bilhões de pessoas usam as redes sociais diariamente. Estima-se que até 2018, 2,44 bilhões de pessoas a estarão utilizando enquanto em 2010 eram só 970 milhões. As redes sociais oferecem vantagens extraordinárias, mas escondem alguns perigos. Não só para adultos, mas principalmente para adolescentes, e até mais para crianças, que se expõem ingenuamente, aos seus perigos:
  • sem cuidado algum ao revelarem suas intimidades e informações particulares e tornarem-se presas fáceis para pessoas mal-intencionadas;
  • com falta de moderação da grande maioria , usando todo tipo de conteúdo postado, haja vista que a sua produção, ocorre de forma não centralizada, inexistindo o chamado “controle editorial”;
  • no uso de links embutidos em fotos e imagens contendo códigos maliciosos capazes de contaminar os computadores com malwares ou que levem os membros das redes sociais a sites perigosos.
Não há o mínimo de prudência e de bom senso. Ocorre que muitos dos usuários da internet têm pouca consciência de seu uso. Vejam o comportamento dos utilizadores no Facebook, que hoje superam 400 milhões de usuários, os assustadores dados que revelam:
  • 46% dos utilizadores do Facebook aceitam pedidos de amizade de estranhos;
  • 89% dos utilizadores da faixa etária dos 20 divulgam a sua data de aniversário;
  • quase 100% dos utilizadores divulgam o seu endereço de e-mail;
  • entre 30-40% dos utilizadores listam dados sobre a sua família e amigos.
As redes sociais online podem operar em diferentes níveis, como, redes de relacionamentos (Facebook, Twitter, Instagram, Google+, Youtube, MySpace, Badoo), redes profissionais (LinkedIn), redes comunitárias (redes sociais em bairros ou cidades) e permitem analisar a forma como as organizações desenvolvem a sua atividade, como os indivíduos alcançam os seus objetivos. Um ponto em comum nas redes sociais é o compartilhamento de informações, conhecimentos, interesses e esforços em busca de objetivos comuns. Porém na sua expressiva porcentagem, o que impera é a banalidade e suas consequências nocivas à saúde física, emocional e comportamental dos usuários. Contrapondo-se ao uso da comunicação digital e sua utilização na sala de aula, o neurocientista alemão Manfred Spitzer [2] investiga os efeitos da tecnologia na educação. Segundo ele, o cérebro dos jovens ainda está em desenvolvimento e por isso eles têm de se confrontar com o mundo real para se desenvolver normalmente. Para Spitzer, com os aparatos tecnológicos deixamos de ser ativos, mas unicamente passivos. As mídias digitais, segundo ele, aumentam o estresse, fazendo com que as pessoas sofram consequências que podem chegar à síndrome de Burnout, distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso. Para Spitzer, os nativos digitais, chamados de smombies (zumbis + smartphones), que passam a maior parte do dia plugados são candidatos a desenvolver, desde já, problemas de atenção, memória e concentração, mal que ele batizou como “demência digital”. Qualquer tecnologia não é boa ou má e depende do uso que se faz dela. Ela existe para melhorar a nossa vida. Mas com respeito à internet e seus afins, seria prudente refletir ao conhecer que as pessoas no mundo usam anualmente mais do que Dois Bilhões de horas de seu tempo livre com ela. O problema reside aí. O capital mais precioso que as pessoas possuem é o tempo e, como o sucesso dos produtos tecnológicos é medido pela  duração de seu uso, todo cuidado é pouco para não sermos manipulados. Imagine se os indivíduos dedicassem 10% do tempo de modo útil. Não tenho dúvida que a humanidade seria outra.  
[1] W. Gabriel de Oliveira é professor universitário na área de cibercultura, comunicação e marketing, além de consultor e pesquisador. [2]

06/12/2016

Giovanna

Muito bom!

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Janguiê Diniz

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

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