Os desafios da aplicação das novas tecnologias na educação

Gabriel Mario Rodrigues

Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)

Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues Presidente do Conselho de Administração da ABMES ***
“Na nossa vida a tecnologia entrou, todo mundo usa. Mas na escola, ou ela não entra, ou entra de forma fragmentada, dentro da lógica da escola. Por isso nosso mantra é ressignificar a escola.” (Adriana Martinelli, gerente de negócio da Joystreet, para o Especial Educação do Futuro do jornal O Estado de S.Paulo – 24/10/2016)
O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, fundamentado por 26 intelectuais em 1932, foi o grito de alerta para a reconstrução do então sistema educacional brasileiro. E, decorrente das ideias defendidas, indicava o uso da nova tecnologia que despontava na época: o cinematógrafo. Desde seu primórdio, o cinema pela imagem, movimento, som e cores mostrava-se uma poderosa ferramenta para incrementar o processo de ensino-aprendizagem. E foi assim que o governo de Getúlio adquiriu centenas de projetores para serem distribuídos às escolas. Passada a euforia dos primeiros momentos, todos se deram conta somente depois de que para exibir cinema havia necessidade de filme, de energia elétrica e de quem o passasse. Assim, as máquinas encaixotadas se perderam no correr do tempo. Ainda hoje, embora se observe a proliferação exuberante de todas as mídias, muitos se esquecem de que o mais importante é o conteúdo respaldado por uma bela história. Escrevo isso porque, nos últimos meses, a mídia vem dedicando sua atenção ao uso das tecnologias em educação, preocupada com a sua aplicação e os resultados efetivos alcançados. Aposentamos os projetores de slides, os mimeógrafos, os players para a bitola VHS e os retroprojetores para exibir transparências e todos estão atribuindo à tecnologia o condão de atravessar os muros e as paredes escolares, exortando que as inovações em sala de aula estão diante da hora da mudança, que é agora. O uso da Tecnologia da Informação (TI) na educação tem levado escolas e pais a verem os avanços tecnológicos com respeito, mas o tema também gera alguma desconfiança. Afinal, os pais que se sentaram na sala de aula em carteiras postas uma atrás da outra e nas quais assistiam ao magister dixit durante quatro horas pensam que o mundo jurássico não mais existe, enquanto a realidade é que a universidade brasileira pouco mudou na transmissão do conhecimento. Há todo um universo apostando nas novas tecnologias, incluindo intelectuais, educadores, pedagogos e outros profissionais que se arriscam. E correr riscos é temerário demais no âmbito educacional. É como apostar todas as fichas na viagem de ida, sem volta. E com razão, pois dá para voltar atrás e retomar o modelo tradicional? Jamais. Tudo é desafiador, não dá para prever se vai dar certo ou não. Mas, como retórica, a TI não é boa nem má. Mau ou bom é o uso que se fará das ferramentas na educação. Não é de hoje que o assunto tecnologias incomoda, mas nunca ganha solidez, principalmente porque quem escreve elogiando ou criticando costuma ser quem nunca pôs os pés na sala de aula, a não ser como aluno. Nesse contexto, o único que poderá decifrar o enigma será o professor. Seu papel está assegurado diante de ferramentas autônomas e inteligências artificiais: colocar um pouco de ordem no caos, ajudar a organizar o mundo. No Iluminismo do século XVIII, para reformar a sociedade, a criação lapidar revolucionária foi a enciclopédia, obra que tinha a ambição de colocar ao alcance do leitor todo o conjunto de conhecimentos humanos derivados da razão. A realidade é que hoje quem governa o mundo é o caudal de informações vindas dos mais diferentes aparatos tecnológicos, e o desafio vai ser informar melhor. O papel do professor (comunicador, tutor, mediador, seja lá o nome que for) é o de ser o guia no processo de transformar informação em conhecimento – uma mistura fluída de experiência acumulada, valores, informação e insight experimentado, o que proporciona uma estrutura para a avaliação e incorporação de novas experiências e informações. O conhecimento é decorrente da interpretação da informação e de sua utilização para gerar novas ideias, resolver problemas ou tomar decisões e existe quando uma informação é explicada e suficientemente compreendida por alguém. É o resultado de nossa aprendizagem, daquilo que experimentamos e podemos utilizar novamente em diversas situações. A escola se depara atualmente com um paradoxo: quantidades cada vez maiores de pessoas precisam ser educadas, mas o modelo da revolução industrial em que todos aprendiam as mesmas coisas da mesma forma já não serve mais. A solução para esse impasse é a personalização do ensino, possível em grande escala graças à tecnologia, que possibilita tratar cada pessoa individualmente, com suas necessidades e modos de pensar, dando a elas uma série de ferramentas que as ajuda, também, a conectar-se com outras pessoas e outras culturas. Ao debater os novos papéis do professor, Miguel Thompson, diretor executivo do Instituto Singularidades, afirma que, muito mais do que pensar em aparelhos ou programas de computador, o professor tem de atuar segundo os drives culturais da atualidade: customização, colaboração, conexão, comunicação, criatividade e crítica. O professor deve ainda desenvolver uma sensibilidade ativa, que o ajuda a entender as necessidades e interesses reais dos estudantes. Estes, por sua vez, vão atingir a condição que tanto reivindicam: o protagonismo sobre a própria aprendizagem, ajudados nessa tarefa por toda tecnologia à sua disposição e em suas mãos. Por outro lado, embora se considere importante o uso de uma tecnologia, vale lembrar que essa utilização se torna desprovida de sentido se não estiver aliada a uma perspectiva educacional comprometida com o desenvolvimento humano, com a formação de cidadãos, com a gestão democrática, com o respeito à profissão do professor e com a qualidade social da educação. Sabe-se que o emprego deste ou daquele recurso tecnológico de forma isolada não é garantia de melhoria da qualidade da educação. A conjunção de diversos fatores e a inserção da tecnologia no processo pedagógico da escola e do sistema é que favorecem um processo de ensino-aprendizagem de qualidade. Para isso, o professor tem de se sentir confortável em seu novo papel. Nesse sentido, ele também deve estar engajado na sua formação continuada, feita de forma personalizada. Deve conhecer as novas tecnologias e utilizá-las de maneira criativa em suas aulas. Há perigos pelo caminho? Sem dúvida. Mas ousar, errar e assimilar o erro positivamente em novas experiências é a ponte para a mudança de paradigma. A incorporação de tecnologias como instrumento de aprendizado tem o potencial de promover essa mudança, colocando o aluno no centro do processo, tornando-o um sujeito ativo e produtor.

22/11/2016

Tales Castelo Branco

Gabriel, realmente, a escola sem o incentivo da tecnologia fica desamparada. Tales.

25/11/2016

Joara Delane Sousa Ribeiro

A interação é de fato condição básica para o desenvolvimento de práticas educativas significativas no contexto atual em todos os níveis da educação. Reforço a ideia de apoiar o trabalho docente nessa perpectiva de avançar a partir da mediação provocada pela TI, observando a condição necessária de busca pela qualidade do esino e aprendizagem promovida na relação professor e aluno.

Rumo a Paris, com o futuro da educação superior na bagagem

Janguiê Diniz

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

Identificação de Riscos Psicossociais NR-01: A Triagem

Júlio Cesar de Castro Ferreira

Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

Os Silêncios Metacognitivos do Psicanalista e do Professor

Ronaldo Mota

Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

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