Falar nos mortos

Antonio de Oliveira

Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001) antonioliveira2011@live.com Instagram: @prof.antoniooliveira

Antonio OliveiraAntônio de Oliveira Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001) antonioliveira2011@live.com *** Muitos cemitérios ostentam denominações reveladoras de conformidade, resignação e esperança. Nomes, aliás, apropriados e respeitosos, como Cemitério da Saudade, Cemitério do Bonfim, Cemitério da Paz, Parque da Colina, Bosque da Esperança, Renascer, Cemitério das Mercês, Cemitério da Consolação, Cemitério da Ressurreição, campo-santo, denominações, todas essas, de cidades subterrâneas e invisíveis, onde se enterram nossos mortos. Pelas alças se devolve, ao sacrário da terra, o último mistério desta vida, a morte. Em Buenos Aires, visite-se o cemitério La Recoleta, nome dado inicialmente a um convento, espaço para retiro e orações, recolhimento, meditação. Em Lisboa, antigo cemitério, Cemitério dos Prazeres, localizado na paróquia ou freguesia dos Prazeres, em homenagem a Nossa Senhora dos Prazeres. Título a lembrar dos sete principais prazeres da vida da Virgem Maria, de acordo com uma tradição cristã: anunciação, saudação de Isabel, nascimento de Jesus, visita dos reis magos, encontro de Jesus no templo, aparição de Jesus ressuscitado, coroação no céu. Père-Lachaise é o maior cemitério na cidade de Paris, suntuoso, em estilo gótico. Cemitério, em grego, significa dormitório. Raul Seixas garante: “Ninguém morre: as pessoas despertam do sonho da vida”, ou ficam encantadas, segundo Guimarães Rosa. Com efeito, parece que nossos falecidos ficam a nos espreitar, a nos observar e a acompanhar de longe. Um “longe”, que rima com “onde”, e que não é um lugar físico, mas é, ao mesmo tempo, "perto de nós". Parece que aqueles que despertaram do sonho da vida e que conviveram conosco estão aqui e agora, ao nosso lado, partilhando conquistas, sensações de alegria, amparando-nos, cambaleantes, dos tropeções nos desvãos e nos meandros acidentados da pista. Meritório exercício é o da escuta, pois é melhor deixar os cemitérios falarem por nós. Como lá no Grande Sertão: Veredas. “Ficar calado é que é falar nos mortos.”

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Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

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