A importância da Criatividade em todos os níveis educacionais

Gabriel Mario Rodrigues

Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)

Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues Presidente do Conselho de Administração da ABMES ***
A criatividade é o recurso mais fecundo com que o homem, desde sempre, procura dominar seus inimigos atávicos: a fome, o cansaço, a ignorância, o medo, a feiura, a solidão, a dor e a morte. Em cada esquina do planeta, em cada fase da sua evolução, a criatividade humana consegue atribuir uma forma ao caos e dar um significado as coisas. (Do livro “Criatividade e Grupos Criativos”, de Domenico De Masi)
É a segunda vez que repito a epígrafe do Professor De Masi em meus artigos, porque ela representa, em sua essência, a melhor afirmação que conhecemos sobre o valor da Criatividade como promotora da civilização. Somos o que somos porque um dia alguém precisou resolver um desafio para sobreviver. É recente o estudo da criatividade nos diversos países como motivadora do desenvolvimento humano e social. O mundo tem tantos problemas que só mentes treinadas para vencer desafios serão capazes de solucioná-los. Em todas as áreas do planeta terra, quer no plano pessoal, no empresarial, na administração pública, no meio ambiente ou na melhoria da qualidade de vida, o mundo está carente por melhores soluções que privilegiem o bem-estar de todos. Criatividade é uma das características mais mencionadas nas listas de competências desejáveis para um líder ou profissional se destacar de maneira geral. Mas o que significa criatividade? De forma simples: é a capacidade de apresentar soluções alternativas para problemas conhecidos e saídas inovadoras para problemas novos. Enquanto isso, inovação é a criatividade transformada em “produto”, “serviços”, etc. Criatividade é pensar algo novo, enquanto a inovação é fazer esse pensamento se concretizar. Para cada uma das milhares de atividades do ser humano é possível estabelecer competências criativas. Sendo assim, o termo é tão difuso quanto tais iniciativas: na educação, no mundo corporativo, na economia, na lavoura etc. A importância da criatividade começou a ser mundialmente observada desde 2006, por ocasião da cerimônia de abertura do Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, Suíça, quando o presidente do evento falou sobre a necessidade de se desenvolver essa competência para se encontrar novas soluções para os desafios seculares que atingem a humanidade. Ele ainda destacou que não haveria mais como resolver as questões problemáticas atuais do mundo tomando-se como referência acontecimentos do passado. Seria preciso, portanto, um novo olhar, o que só poderia acontecer se fosse usada a competência criativa das pessoas. Essa referência provocou a Comunidade Europeia a se mobilizar para em seguida marcar o ano de 2009 como o “Ano da Criatividade e da Inovação”, ocasião em que 35 países europeus se reuniram para discutir e disseminar esse conceito no continente. A partir daí, pode-se afirmar que o real conceito sobre criatividade começou a ficar muito mais conhecido em todo o mundo. Embora de forma discricionária, vários conceitos foram disseminados: desde que a criatividade era importante só para as artes, como que a criatividade servia para tudo, passando a ser referência para qualquer área: escola criativa, desenho criativo, comida criativa, aula criativa e por aí vai. De nada adianta ter bastante conhecimento, ideias e capacidade de avaliação se as atitudes mobilizadoras para o processo criativo não estiverem ativadas. Essas referências são justamente aquelas que fazem com que o indivíduo se motive, participe, intervenha nos mais diferentes processos e cenários da existência. São elas que nos fazem desafiar as adversidades e nos sentirmos úteis, com a nossa vida em contínua expansão. As constantes transformações pelas quais passa o mundo atual com o avanço da tecnologia, com a internet, dentre outras novidades, tem provocado mudanças profundas, permitindo que se estabeleçam novas dinâmicas de relacionamentos, negociação, trocas de experiências e conhecimento. Hoje já não é mais possível olhar para os acontecimentos do passado e buscar soluções para o presente. Por conta disto, é preciso inovar continuamente em todos os cenários, como cultura, educação, tecnologia, negócios. E, para que isso ocorra, é fundamental resgatar a criatividade inerente a todo ser humano e que foi “escondida” face aos modelos educacionais arcaicos e seculares. Resgatar e desenvolver, pois a mesma é a parte inicial do processo que culmina com a nova realidade dos tempos atuais. Por que o debate sobre a criatividade é importante no presente? Quem pergunta é Fernando Viana, presidente da Fundação Brasil Criativo, em artigo publicado no Infonet em 20/5/13, destacando sete aspectos: 1º - Porque a criatividade humana é um talento que não pode ser transferido seja para pessoas, seja para economias em grande escala. 2º - Porque a criatividade ao ser considerada uma competência fundamental para a economia e não uma competência marginalizada poderá ajudar a motivar, reconhecer e fundamentar novos modelos de negócios e processos organizacionais. 3º - Apesar de escrever sobre criatividade em dezenas de artigos aqui publicados, podemos afirmar que o seu conhecimento como uma competência fundamental ainda não está consolidado e, de uma maneira geral, busca-se a inovação sem antes preparar a cultura da instituição, empresa, comunidade ou território para o pensamento criativo (que é a etapa inicial do processo criativo cujo resultado final será a inovação). 4º - Num mundo em constante transformação, a criatividade vem sendo encarada como uma competência para desenvolver estratégias a melhorar o desempenho das empresas, a colaborar para regenerar cidades e territórios através dos resultados que vêm sendo obtidos com a Economia Criativa, favorecendo não só a revitalização da economia local, como a inclusão social, aumento da renda média das pessoas e causando grandes impactos positivos na sociedade. Portanto, a criatividade se tornou uma força propulsora do crescimento econômico e essa transformação baseia-se na inteligência humana, no conhecimento e na criatividade e faz uso de novas matérias primas que englobam informação, propriedade industrial, capital criativo e capital intelectual humano como elementos essenciais para a sobrevivência e crescimento econômico na era da concorrência global. 5º - A criatividade ao ser entendida como a capacidade de produção que se manifesta pela originalidade inventiva e inovadora é a habilidade de ver o mesmo que toda gente, mas pensar de forma diferente. 6º - Embora a criatividade sempre tenha sido considerada uma competência fundamental para os avanços tecnológicos e os descobrimentos, atualmente, a convergência de muitos fatos importantes no planeta fizeram com que a criatividade se tornasse um ativo econômico diferencial. 7º - A criatividade é fundamental não apenas para os setores ligados a intelectualidade, ciência e arte, mas em toda economia e em todos os setores; daí a ideia de que uma classe “criativa” perde o seu efeito, pois todas as pessoas são criativas e a criatividade humana pode ser resgatada e desenvolvida. Justifica-se, então, a necessidade de se discutir intensamente a sua importância e preparar talentos criativos para a realidade contemporânea. É preciso ter consciência de que pela criatividade o homem tem transformado o mundo. Fica então o questionamento: estamos produzindo esses hábitos mentais, estimulando a criatividade e a colaboração em nossos estudantes? Em tempos difíceis como os atuais, no cenário econômico e político, qual é a motivação passada nas salas de aula e percebida pelos gestores educacionais. Para não dizer que nada, em 21 de julho do ano passado, o intelectual e ex-ministro da Educação, Renato Janine, baixou a Portaria 751 instituindo um Grupo de Trabalho (GT) responsável pela orientação e para o acompanhamento da iniciativa da Inovação e Criatividade na Educação Básica brasileira. Com gente nova na área que conhece “o metier” pensamos ser uma grande oportunidade para resgatar a causa e tratar a Criatividade com a relevância necessária.

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Janguiê Diniz

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

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