“Bastão da fala” - tradição para se perenizar na ABMES

Gabriel Mario Rodrigues

Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)

Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues Presidente do Conselho de Administração da ABMES ***
"O ato de ouvir exige humildade de quem ouve e a humildade consiste nisso: saber com a cabeça, mas sentir pelo coração que é possível que o outro veja mundos que nós não vemos." (Ruben Alves)
Realmente foi com muita satisfação que transmitimos a presidência da ABMES - Associação Brasileira de Mantenedores de Ensino Superior ao amigo José Janguiê Bezerra Diniz e, mais ainda, marcar a posse com a entrega do “Bastão da Fala”, um símbolo de poder associativo para se tornar perene pela vida afora. O fizemos sabendo que, por certo, ele e sua diretoria saberão preservar a história da entidade, fundada em 1982 por mantenedores, capitaneados, nestes anos todos, por Candido Mendes, Edson Franco e por nós. E sem nos esquecermos dos associados inspiradores como Electro Bonini, Vera Gissoni e inúmeros outros, que ajudaram a construir uma entidade com o prestígio que hoje tem na educação brasileira. As palavras iniciais do diretor presidente Janguiê em seu discurso são alvissareiras: a expansão, o fortalecimento e a atração de mais associados para participarem e estarem presentes nas constantes discussões que temos com o MEC e outros organismos públicos. Há muito obstáculo a ser vencido para que a sociedade, cada vez, mais valorize o trabalho das instituições de ensino particular. Uma atenção especial da nova gestão é continuar a dar foco às Pequenas e Médias Instituições de Ensino Superior (PMIES), que são a maior parte das IES do Brasil e dos associados da ABMES. Janguiê enfatizou que continuará com a proposta de “trabalhar para que essas IES sejam tratadas e avaliadas [pelos órgãos reguladores] de acordo com a sua regionalidade e especificidade”. Sua mensagem mais objetiva é a defesa intransigente da livre iniciativa em todas as esferas, inclusive na Justiça. Em resumo, comungamos com o entusiasmo do diretor presidente eleito e com a opinião que sangue jovem, ideias novas e metas ambiciosas são imensamente úteis para a continuidade do sucesso da ABMES. Bastão da falaNa transmissão da “troca de bastão”, desejamos não só inovar, como também criar a cultura da democracia da audição onde todos tenham a oportunidade de falar, mas, antes de tudo, ouvir bastante. Para que em todas as ocasiões e momentos a palavra seja livre e franca, mas que os ensinamentos do escutar com atenção sejam norma básica e que as tomadas de decisões sejam precedidas pela oportunidade de manifestação de todos. É preciso, na condução das reuniões da ABMES, disciplinar as falas e a abordagem dos temas, evitando desvios comuns como a fuga do assunto central ou até mesmo questões particulares. O “Bastão da Fala[1]” organiza todas estas questões baseado num costume tribal dos índios americanos que hoje é método pedagógico em algumas escolas do mundo. É usado há séculos como um meio saneador do intercâmbio de ideias e discussões e comumente esteve presente em reuniões de conselho das comunidades para designar quem tinha o direito de falar. Quando assuntos de grande importância surgiam, o chefe da tribo pegava o bastão e iniciava a discussão. Quando ele terminava o que tinha a dizer, passava o bastão para outro que desejasse falar. Dessa maneira, o bastão era passado de indivíduo para outro, até que todos se manifestassem e o cacique decidisse expressando o pensamento do grupo. O bastão é uma peça de madeira entalhada com enfeites de simbologia representativas da natureza e de grande valor imaginativo. “O Bastão da Fala” nos ensina que o ponto de vista alheio é muito valioso, e que devemos escutar para colocar em prática tudo aquilo que ouvimos. Estamos sendo solicitados a não interromper aqueles que estão compartilhando sua sabedoria conosco. Devemos aprender que a vida nos oferece inúmeras escolhas e respostas para qualquer dilema que nos seja colocado. Fácil de se entender como a educação das crianças nesses ambientes era transmitida sem a necessidade de uma hora ou lugar determinado, mas sim no dia a dia, nos afazeres, na observação dos mais velhos, saber ouvir e saber falar na hora certa é um detalhe tão simples, e ao mesmo tempo virtude enormemente útil e apreciada. O “Bastão da Fala” mostra uma forma de se comunicar e resolver conflitos através da sabedoria do coração. É um bastão que traz na simbologia o equilíbrio e a harmonia ambiental, pois nele estão contidos todos os reinos da natureza: o mineral (através da pedra), o vegetal (através da madeira), o animal (através da pena) e o humano (através da pessoa que o segura). O propósito de usar o bastão nas reuniões é o de se trazer o equilíbrio e a harmonia necessários paras as tomadas de decisões, para que estas sejam em favor e consoantes com o meio ambiente. Para que o bem tenha prioridade sobre os desejos pessoais, para que alcancemos a consciência de que fazemos parte do todo e que cada decisão que tomamos repercute em todas as nossas relações, sejam elas familiares, com os amigos, no trabalho ou com o mundo natural. Os índios entendem que nos relacionamos com todos os seres vivos, sejam eles humanos, vegetais, animais ou minerais, pois fazemos parte do universo e todos eles possuem alguma forma de vida, considerando também as relações com o plano espiritual, o que nos faz zelar para manutenção da vida, da harmonia e do equilíbrio de todas as nossas relações. O bastão da fala também carrega toda a memória de todos aqueles que falaram através dele. Por experiência de vida, sabemos que o gênero humano é o ente mais complicado que habita este planeta e que cada um tem a sua ideologia, religião, time de futebol... A tarefa mais difícil que os dirigentes associativos têm é saber que lidam com iguais e não com subordinados. E, apesar na maioria das vezes todos tenham os mesmos objetivos, as estratégias e os meios de execução são diversos e as divergências nascem daí. O diretor presidente Janguiê, pela sua mocidade, pelo seu foco no trabalho, pelo seu empreendedorismo, tenacidade e objetividade, com sua diretoria entusiasmada, certamente alcançará os propósitos estabelecidos em seu Plano de Ação. E, para isto, pode contar conosco, sem se esquecer dos princípios do “Bastão da Fala”.     [1] Artigo “O Bastão da Fala (utilizado nas reuniões dos grupos de apoio da AADA)”, Carol Locust. http://www.aada.org.br/page_saibamais.php?tipo=artigo&id=4 As “Cartas do Caminho Sagrado. A descoberta do ser através dos ensinamentos dos índios norte-americanos”, Jamie Sams (Ed. Rocco, 1993) http://arteshamanica.blogspot.com.br/2008/06/bastao-que-fala.html

10/05/2016

Renata Eugenia

É com muita alegria que acompanho os trabalhos do Mano, Gabriel. Parabéns por todos os seus esforços e idealismo pela EDUCAÇÃO. Que o " bastão da Vida ", tenha lhe abençoado com saúde, paz, e felicidade plena ! Seja Feliz! ass: Renata Eugenia Rodrigues

Rumo a Paris, com o futuro da educação superior na bagagem

Janguiê Diniz

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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Júlio Cesar de Castro Ferreira

Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

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Ronaldo Mota

Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

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