Soluções para um país que precisa avançar

Gabriel Mario Rodrigues

Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)

Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues Presidente da ABMES e Secretário Executivo do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular
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Para enfrentar os desafios do futuro o Brasil deverá fazer uma mudança radical na política educacional: as escolas deixarão gradualmente a tarefa tradicional de fornecer informações e se concentrarão em levar os alunos a refletir sobre a enorme massa de informações. (Stefano Palumbo)[1]
Os organizadores do “IX Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular”, a ser realizado em Porto de Galinhas/PE, no período de 14 a 16 de abril, foram muito felizes na escolha do tema central — “Ensino Superior brasileiro: soluções para um país que precisa avançar”. Este evento representa uma oportunidade ímpar para refletir sobre a situação pela qual passa o Brasil. Certamente, os palestrantes, os debatedores e os participantes analisarão os graves problemas econômicos, sociais e políticos que caracterizam a realidade atual. População, investimento e produtividade caindo, ou crescendo pouco, estão travando o motor da economia. Os parques industriais e os serviços não estão sendo demandados e o desemprego aumenta, deixando 9,6 milhões de pessoas sem ocupação no país. Além disso, os investimentos vêm recuando desde o segundo trimestre de 2014, estagnando a produtividade. Isso sem falar de nossos velhos gargalos: falta de infraestrutura, saneamento, malha rodoviária atrasada e déficit de moradias populares. Nossa política enfrenta uma crise sem precedentes, as denúncias de corrupção em que chafurdam empresários e políticos de alto escalão, expõem a crise de representatividade que atravessamos.  Será que o Brasil tem jeito? Esta é a questão crucial. O sociólogo Domenico de Masi publicou há cerca de dois anos o livro “O Futuro chegou: modelos de vida para uma sociedade desorientada”, lançado em 2013, em cujo conteúdo salienta que, baseados num mundo sem rumos, ocidente e oriente estão buscando novos modelos de organização social visando equilibrar os anseios de melhor qualidade de vida e de progresso e permitir que a busca da felicidade possa ser alcançada por todos os habitantes do planeta. De Masi escreve: Não dispomos mais de parâmetros para distinguir o que é verdadeiro do que é falso, o que é bonito do que é feio, o que é público do que é privado, o que é sagrado do que é profano, o que é de esquerda do que é de direita e o que está vivo do que está morto. Ao examinar quinze modelos de sociedade, períodos históricos, movimentos intelectuais e religiosos, o autor perpassa os sistemas que mais marcaram a história social do mundo, os modelos católico, hebraico, muçulmano, protestante, clássico, iluminista, liberal, capitalista, socialista, comunista até nosso atual modelo pós-industrial. Neste último, presente no mundo globalizado, insere o caso brasileiro. De Masi justifica sua ousadia afirmando:
O Brasil é quase tão grande quanto a China, mas é uma democracia. O Brasil é quase três vezes maior que a Índia, tem quase o mesmo número de etnias e de religiões, mas vive em paz interna e em paz com os países limítrofes. O Brasil é quatro vezes maior que a zona do Euro, mas tem um único governo e fala uma única língua. O Brasil é o país onde há mais católicos, mas onde a população vive da forma mais pagã. O Brasil é o único país no mundo onde a cultura ainda mantém características de solidariedade, sensualidade, alegria e receptividade.
O autor cita dados do Pocket World in Figures, editado pela revista The Economist, tais como: o Brasil ocupa o segundo lugar em extensão florestal e em número de usuários do Facebook entre os 197 países da geopolítica planetária; o terceiro lugar em hostes de Internet; o quarto lugar em extensão de malha rodoviária; o quinto em superfície quanto ao número de habitantes; o sexto em produção agrícola; o sétimo em Produto Interno Bruto (PIB), produção industrial e serviços; o nono em reservas públicas; o décimo em público de cinema e o décimo primeiro em produção de energia e em número de viagens aéreas. Ele conclui seu livro mostrando que certamente o Brasil não é, sem dúvida, o melhor dos mundos possíveis, mas talvez seja o melhor dos mundos existentes. Seus defeitos são menores do que em outros países e suas qualidades superam a de muitos lugares. De Masi foi muito criticado e tido como ingênuo ao ser comparado com o que o escritor Luiz Rufado declarou, também em 2013, na “Feira do Livro” de Frankfurt:
a taxa de homicídios no Brasil atinge 20 assassinatos a cada 100 mil habitantes, o que equivale a 37 mil pessoas mortas por ano, índice 3 vezes maior que o mundial. E os mais expostos à violência, não são os abastados residentes nos luxuosos condomínios, mas sim os pobres moradores das periferias e favelas. Há constância de violência contra as mulheres, onde nos últimos 10 anos, 100 mil foram assassinadas e também a população carcerária brasileira é de cerca de 550 mil pessoas, predominante formada por jovens de 18 a 34 anos, pobres, negros e de baixa instrução.
Além disso, o jornal Valor Econômico revelou em 2013 que 6% dos brasileiros são milionários, fato que representa o décimo segundo lugar no ranking mundial. Entre os 20 milhões de brasileiros mais ricos, 18 milhões são brancos e entre os 20 milhões de brasileiros mais pobres, 15 milhões são negros. A visão otimista de De Masi ocorre em um momento em que o país passa por uma profunda depressão. Considerando que os movimentos sociais pelas ruas, a internet e a mídia mostram uma realidade distinta daquela que o escritor percebeu, ele procedeu a uma análise mais minuciosa do país, entrevistando onze especialistas em diversas áreas[2], visando fundamentar as suas visões sobre o país nos próximos dez anos. Este é o conteúdo de seu livro “Caminhos da Cultura no Brasil”, publicado pela editora Sextante. Uma síntese da análise de De Masi indica o perfil do brasileiro, que mostra o seu descrédito pelas próprias capacidades; que protesta a cada tropeço do país, procurando encontrar culpados e possuindo uma mentalidade bipolar; e que oscila entre depressão e euforia. O brasileiro que se sente orgulhoso de suas proezas, quando algo não dá certo, mostra sinais de seu senso de inferioridade. Sem visão estratégica, a Nação sente falta de um projeto coletivo de futuro e não tem chão para apoiar seus sonhos de bem-estar. A população tem consciência dos grandes problemas internos que travam seu desenvolvimento, que são a corrupção, a violência, a desigualdade social e o déficit educacional. Sabe por outro lado que o sucesso dependerá da capacidade de mobilizar-se, de organizar-se e tornar real um projeto compartilhado de Nação. Enfim o brasileiro deve modernizar-se, ser mais tolerante, menos superficial, menos improvisador, ter espírito público, ser perseverante e não perder sua criatividade. Por outro lado, a crise que abala o país e a incapacidade com que são tratados os problemas socioeconômicos induz brasileiros à completa descrença nos políticos. O “Projeto de Opinião Pública da América Latina” (Lapop, em inglês), da Universidade Vanderbilt (EUA), mostrou que o Brasil ocupa a penúltima posição no ranking de respeito pelas instituições políticas entre 26 países da América Latina. Segundo Guilhermo Russo, pesquisador da universidade que analisa os dados do Brasil, o acúmulo de escândalos de corrupção envolvendo os diversos países, a percepção que as autoridades nada fazem para coibi-los e os problemas sociais que continuam a existir fazem com que os políticos sejam completamente execrados. No Brasil, o Congresso Nacional, os políticos e os partidos apenas representam interesses próprios. Para se ter uma boa representação política, há necessidade de que os eleitores saibam o que querem e que consigam comunicar os seus desejos e aspirações  aos seus representantes e, sobretudo, que estes executem o que lhes comunicado. Da euforia de um país grandioso para a realidade depressiva decorreram apenas dois anos. Perguntamos: De quem é a culpa? Sua, do seu amigo, de seu pai e sua mãe, de seu vizinho, nossa e de todo cidadão brasileiro? Os congressistas e os governantes foram eleitos por nós, dentro das regras viciadas estabelecidas há anos. Cada um de nós está olhando para o seu umbigo, preocupado com seu negócio, sua profissão, sua família, seu carro e seus sonhos. O país que se estraçalhe e, por isso, está acontecendo o que se vê. A única saída para a mudança e a transformação é a Educação em todos os níveis, com a primazia da cidadania e do espirito público, desde a creche à pós-graduação. Só a educação tem o condão de modificar esta realidade e as manchetes e as notícias que lemos todos os dias. E a busca de soluções para um país que precisa avançar deve começar hoje — ou melhor, agora —, porque este processo demorará décadas.   [1]  Co-autor do livro  “2025: Caminhos da Cultura no Brasil”. [2] Caio Tulio Costa (jornalista, professor e gestor na área de comunicação digital); Claudia Leitão (professora, ex-secretária de Economia Criativa do Ministério da Cultura); Cleber Miranda dos Santos (crítico e diretor cinematográfico); Cristovam Buarque (professor, senador e ex-ministro de Educação); Fábio Magalhães (museólogo, ex- secretário da Cultura de São Paulo); Glória Kalil (jornalista e empresária de moda); Jaime Lerner (arquiteto e urbanista); Leonel Kas (professor e ex-secretário de Cultura e Esporte do estado do Rio de Janeiro); Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti (antropóloga); Paulo Werneck (curador da Feira Literária Internacional  de Paraty ) e Tárik de Souza (jornalista e crítico de música).

Rumo a Paris, com o futuro da educação superior na bagagem

Janguiê Diniz

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

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Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

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