Ser criativo e capaz de fazer conexões que poucos percebem

Gabriel Mario Rodrigues

Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)

Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues Presidente da ABMES e Secretário Executivo do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular
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Não perguntem às crianças o que querem ser, mas sim quais problemas querem resolver quando crescerem. Isso muda a conversa – de “para quem vou querer trabalhar” para “o que devo aprender”, visando atingir seus objetivos.  (Jaime Casap)[1]
“Adams, o Óbvio” é um conto publicado em abril de 1916 no Saturday Evening Post que, três meses depois virou livro com extraordinário sucesso, pois foi considerado a “bíblia” daqueles que trabalham em publicidade. Adams era um jovem simpático, que conversava com todos e prestava uma atenção enorme ao trabalho das duplas de criação. Certa vez, assistiu a uma discussão de horas de diversos publicitários que tinham o desafio de aumentar o consumo de uma famosa pasta dental. Ao ouvir tanta insensatez por parte dos componentes do grupo, não se conteve e pediu licença para dar um palpite: – “porque vocês não aumentam o buraco por onde a pasta sai?” A solução foi tão óbvia que o escolheram para fazer um estágio na firma. Foi uma tacada certa a contratação de Adams, porque ele tinha uma capacidade inata de enxergar o que ninguém via. Em pouco tempo, ficou sendo conhecido por “Adams, o óbvio”. No final, todas as empresas queriam a sua participação e depois de alguns anos era o dono de sua própria agência. Ter ideias é descobrir relações novas entre as coisas conhecidas. Para as pessoas criativas, as ideias mais simples são as melhores. Normalmente complicamos as soluções simples e nos distanciamos do óbvio. Fomos educados para acreditar que soluções criativas são sofisticadas e que o processo criativo é restrito a algumas áreas do conhecimento. Um grande exemplo encontra-se na área tecnológica. As conquistas que envolvem os meios de produção social coexistem com a revolução das tecnologias e estão relacionadas ao modo de vida de um modelo de sociedade que, ao evoluir, cria processos tecnológicos usando sua criatividade e inovação. Valorizamos as tecnologias, incorporando-as em nosso cotidiano, e muitas vezes, subvalorizamos o valor da criatividade humana que as desenvolveram. Vale ainda ressaltar que o processo criativo é de domínio público, ou seja, todos nós nascemos criativos. O que precisamos é aprender a trabalhar tais habilidades e desenvolver o nosso “viver criativo” por meio de hábitos e processos mentais que favoreçam o exercício da criatividade. Socialmente construído e reproduzido nos processos educacionais, combinamos as competências criativas do ser humano ao seu desenvolvimento individual. No entanto, é importante observar que o processo criativo, a capacidade de implementar e realizar projetos, transformar contextos e ideias em ações, é naturalmente um processo também colaborativo. Assim como a criatividade, a colaboração está no cerne da essência humana. O nosso desafio é construir uma cultura social de aprendizagem, capaz de reconhecer que a criatividade deve ser uma das prioridades mais importantes para estimular a colaboração e a participação produtiva das pessoas nas sociedades. Nesse contexto, a motivação se torna uma importante ferramenta de transformação, partindo do individual para o coletivo, proporcionando novas crenças e valores, para uma percepção positiva relação ao nosso futuro. Afinal, todos nós temos sonhos, projetos de vida e desejamos um mundo melhor para viver. Para isso, precisamos acreditar que é possível transformar nossa realidade e que podemos usar a motivação, a criatividade e a colaboração para sermos mais fortes nessa empreitada. É preciso ter consciência de que pela criatividade o homem tem transformado o mundo. A capacidade de ser criativo implica observar o explícito e o implícito ao redor de nós, como um exercício diário, para que a nossa forma de pensar, de resolver problemas e de encontrar soluções inteligentes não se torne mecânica e padronizada. E mais: ser criativo, proativo, confiante e eterno otimista para saber ver sempre o lado bom das coisas. E agora pergunto: Estamos produzindo esses hábitos mentais, estimulando a criatividade e a colaboração em nossos estudantes brasileiros? Em tempos difíceis como os atuais com um cenário econômico e político conturbado, qual é a motivação passada para os alunos nas salas de aula? A criatividade não surge exclusivamente em indivíduos, ou culturalmente em uma sociedade, mas na interação e colaboração entre esses dois aspectos, igualmente importantes, porque as pessoas imaginam, criam e dão origem a novas ideias. A sociedade estimula, usando a cultura e educação para inspirar, estimular e incentivar essa engrenagem cíclica. Assim, a educação, enquanto componente essencial no sentido social e cultural, é fundamental para mudar a vida das pessoas por meio da criatividade e da colaboração. Não me custa citar, ao final deste artigo, com um trecho do criativo Steven Jobs em seu discurso na Universidade de Stanford:
Seu trabalho vai preencher uma grande parte de sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você não encontrou o paraíso ainda, continua procurando. Não se acomode. Tal como acontece com todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não se contente.
Estou certo de que o sistema universitário com determinação, colaboração e criatividade pode transformar a vida dos nossos estudantes, fazendo-os confiar em sua capacidade de construir uma sociedade melhor, acreditando fundamentalmente em seu potencial criativo para mudar suas vidas. [1] https://www.linkedin.com/in/jaimecasap

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Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

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