A metacognição como estratégia de aprendizagem

Gabriel Mario Rodrigues

Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)

Gabriel Mario Rodrigues 1Gabriel Mario Rodrigues Presidente da ABMES e Secretário Executivo do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular
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Aprender um conteúdo e perceber como aconteceu a compreensão ou aperceber-se do não entendimento deste, são exemplos do fenômeno metacognitivo. Dificilmente mensurável, a ciência cognitiva estuda o processamento da informação buscando respostas para a explicação do fenômeno da aprendizagem. (Mario Vinicius Canfild Grendene)[1]
Metacognição é a capacidade que o indivíduo pode desenvolver para pensar sobre seu pensar, expressando como está estruturando o pensamento a respeito de determinado conhecimento e, se necessário, reelaborá-lo, de modo a refletir sobre esse pensar para conhecer ou encontrar soluções aos desafios propostos, diz Maria Elena Roman de Oliveira Toledo[2], doutora em Psicologia da Educação pela Universidade de São Paulo (USP). O processo pelo qual o indivíduo expressa e tem possibilidades de perceber como elabora e controla o pensamento, de modo a organizar, revisar e modificar formas de resolução de situações em função dos resultados que vai conquistando, evidencia aspectos importantes implícitos em atividades que favoreçam processos metacognitivos. Etimologicamente, a palavra metacognição significa para além da cognição, isto é, a faculdade de conhecer o próprio ato de conhecer, ou, por outras palavras, consciencializar-se, analisar e avaliar como se conhece, pensar sobre o próprio pensamento. Por meio da reflexão sobre a maneira como se aprende, pode-se repensar sobre os processos de pensamento individual. Por exemplo, estamos exercendo uma atividade metacognitiva quando assistimos à TV pondo o nosso lado crítico em evidência. A discussão desse enfoque parece ter retornado à atualidade, ainda que as origens datem da década de 1970. É que o setor gosta, para não dizer precisa, de ver e rever princípios e conceitos que nunca ficam claros ou totalmente explorados, como se uma novidade fosse mais importante para o momento e merecesse mais atenção em detrimento de outra surgida anteriormente. É um virar de página, sem acabar a leitura da anterior. Não faltam conceitos, teorias e definições sobre o assunto. Há uma farta bibliografia a respeito tanto em tratados de psicologia educacional quanto nas Wikis. A metacognição é o conjunto de conhecimentos sobre os próprios conhecimentos e de processos de percepção, avaliação, regulação e organização dos próprios processos cognitivos. Ela pode ser pensada como cognições de segunda ordem: pensamentos sobre pensamentos, aprender a aprender, conhecimentos sobre conhecimentos, reflexões sobre ações. É um conceito bastante relacionado ao de funções executivas. A metacognição desempenha um papel importante na aprendizagem por mediar a percepção sobre os próprios erros e dificuldades tanto em relação a tarefas e conteúdos quanto a emoções e motivações, além do monitoramento e avaliação do desempenho na tarefa e das estratégias mais eficientes de realizá-la. Assim, a atenção e a orientação nos processos metacognitivos permitiria ao indivíduo melhorar a sua capacidade de aprender de forma mais geral, por meio de processos de conscientização, monitoramento e controle de seus processos cognitivos e ações. A metacognição parece ser uma habilidade tardia na criança, desenvolvendo-se por volta dos sete aos onze anos, com a contribuição integrada de vários processos. Por um lado a internalização gradual e personalização de atividades metacognitivas observadas, guiadas e/ou reguladas por outros (pais, professores, colegas, etc.) e, por outro, a maturação e a aquisição de aptidões e conhecimentos cognitivos possibilitando também processos metacognitivos mais complexos, além do desenvolvimento como um todo, incluindo seus aspectos biológicos, sociais, afetivos, motivacionais, etc. As perguntas que ficam no ar são: Quando tais faculdades são exercidas e praticadas do Fundamental à Universidade? Quem dentre os docentes teria capacidade indutora do emprego e do aproveitamento dessas faculdades? Ou seja, há proveito, há utilidade, há praticização dessas potencialidades nas crianças e adolescentes nas escolas nacionais? Por requerer que o indivíduo reflita sobre os seus processos mentais, o interesse pelo estudo do papel das estratégias no aprendizado ganhou um importante reforço com uma nova área de investigação psicológica denominada metacognição. O termo foi introduzido por John Flavell, em 1970, para definir o conhecimento sobre os próprios processos e produtos cognitivos. Cognição significa qualquer operação mental: percepção, atenção, memorização, leitura, escrita, compreensão, comunicação etc.; portanto, metacognição é o conhecimento de todas essas operações mentais: o que são, como se realizam, quando se usa uma ou outra, que fatores ajudam ou interferem na sua operabilidade. Para referir-se especificamente a cada um desses aspectos, fala-se de metamemória, meta-atenção, metaleitura, metaescrita, etc. Flavell propõe um modelo de quatro aspectos sobre a monitoração cognitiva, quais sejam: a) conhecimento metacognitivo (que aglutina os componentes sensibilidade e conhecimento das variáveis da pessoa, da tarefa e da estratégia); b) experiências metacognitivas; c) objetivos e, d) ações ou estratégias. A sensibilidade consiste em aprender a identificar em que situações há necessidade de recorrer a determinadas ações ou estratégias e o conhecimento metacognitivo consiste em compreender as crenças a respeito de si próprio, das pessoas, das tarefas e das estratégias, permitindo ao aprendiz reconhecer e representar as situações, ter mais fácil acesso ao reportório das estratégias disponíveis e selecionar aquelas de possível aplicação. O conceito encontra suas origens na psicologia, especificamente em estudos sobre como os sujeitos, em situações como a resolução de problemas, são capazes de monitorar, avaliar e modificar suas estratégias de encontrar as respostas e de descrever esse processo. Para a pedagogia e as escolas, o conceito de metacognição vem se tornando especialmente útil a partir de análises tanto de alunos que se saem extremamente bem, como de alunos com "dificuldades". O conceito de metacognição chama a atenção para vários pontos importantes, entre eles que a dificuldade escolar pode estar mais relacionada a um problema de autoestima e de motivação do que à competência intelectual. Nos próximos anos, esse conceito deverá tornar-se cada vez mais importante para as IES que se preocupam em desenvolver estratégias não apenas para que seus alunos aprendam, mas também aprendam a aprender. À medida que evoluímos nas ciências, mais elementos são agregados às fontes originais e com a metacognição não seria diferente. Vejamos as últimas que a classificam com três componentes: a) conhecimento metacognitivo (também chamado de consciência metacognitiva): é o que as pessoas sabem sobre si mesmas e aos outros como processadores cognitivos; b) regulação metacognitiva: é a regulação da cognição e de experiências de aprendizagem através de um conjunto de atividades que ajudam as pessoas a controlar a sua aprendizagem; c) experiências metacognitivas: aquelas experiências que têm algo a ver com a corrente, esforço cognitivo em curso. Metacognição refere-se, assim, a um nível de pensamento que envolve o controle ativo sobre o processo de pensamento usado em situações de aprendizagem. O planejamento da maneira de abordar uma tarefa de aprendizagem, a compreensão, o acompanhamento e a avaliação do progresso, no sentido da realização de uma tarefa, são habilidades metacognitivas por sua própria natureza. Da mesma forma, manter a motivação para ver a conclusão de uma tarefa é também uma habilidade metacognitiva. A capacidade de tornar-se consciente de estímulos que distraem – internos e externos – e sustentar o esforço ao longo do tempo também envolve funções metacognitivas ou executivas. A teoria de que a metacognição tem um papel crítico a desempenhar na aprendizagem bem-sucedida implica ser demonstrada por alunos e professores. Alunos que evidenciam ampla gama de habilidades metacognitivas têm um desempenho mais eficiente nos exames e nos trabalhos. Resta saber quem e quantos estão interagindo com a metacognição nas IES brasileiras, de modo a propiciar saltos qualitativos e quantitativos extraordinários na aprendizagem, encurtando distâncias e aproximando conclusões em tempos recordes.   [1] Professor da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS) [2] Toledo, M.E.R.O. As estratégias metagognitivas de pensamento e o registro matemático de adultos pouco escolarizados. São Paulo. 2003. Tese (Doutorado). Faculdade de Educação. Universidade de São Paulo.    

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Janguiê Diniz

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

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