Carteira de trabalho – vai virar peça de museu?

Gabriel Mario Rodrigues

Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)

Gabriel Mario Rodrigues 1Gabriel Mario Rodrigues Presidente da ABMES e Secretário Executivo do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular
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A sociedade em que cada qual podia esperar ter um lugar, um futuro direcionado, uma segurança, uma utilidade, essa sociedade – a sociedade do trabalho – está morta. (André Gorz[1])
Ensinou-me Miguel Mastrobuono, meu professor de história do colégio Santo Alberto, que a filosofia nasceu na Ásia Menor porque lá havia uma sociedade opulenta que não precisava trabalhar e podia dedicar-se ao ócio. Nos tempos atuais, Domenico de Masi defende a teoria de que o futuro pertencerá a quem souber libertar-se da ideia tradicional do trabalho como obrigação e for capaz de mesclar atividades – trabalho, tempo livre e  estudo –  isto é, de quem souber praticar o “ócio criativo”, expressão mundialmente conhecida. Para Masi,
vivemos em um mundo não mais industrial, mas pós-industrial, cuja sociedade se dividiu em dois grupos: os analógicos, impregnados pelo industrial e com medo de mudanças, e os digitais, que têm mais facilidade com a informação e são predispostos às inovações.
O declínio dos empregos estáveis e de tempo integral é um dos sinalizadores dessa mudança irreversível. Se o medo de que o desemprego se espalhe por todo o planeta é real, o temor de que as máquinas tomem o lugar dos homens não é novo: no século XIX, os partidários do ludismo[2] destruíram fábricas que substituíam trabalhadores braçais por máquinas a vapor. No entanto, na história das "revoluções produtivas" o desemprego é momentâneo. A introdução da máquina no campo substituiu o homem, que migrou para a cidade à procura de novos empregos. Quando na cidade a máquina tomou-lhe o lugar nas fábricas, o homem foi para a área de serviços. Ou seja, o homem é resiliente, tem inteligência – e é, de longe, o mais versátil e o mais móvel dentre todos os ativos econômicos. A adoção de máquinas no lugar da mão de obra humana permitiu que todo o mundo se tornasse mais produtivo. E aumento no padrão de vida está diretamente relacionado a um aumento na quantidade de bens e serviços disponíveis – tudo possibilitado pela automação. Erik Brynjolfsson, diretor do centro do Massachussets Institute of Technology (MIT) para negócios digitais, e Andrew McAfee, também pesquisador do órgão e ex-professor de Harvard, em seu livro The Second Machine Age, afirmam que estamos vivendo a maior transformação na história desde a Revolução Industrial: a tecnologia digital faz para nosso poder mental o que o motor a vapor fez para nosso poder físico. O problema é que a inovação está ocorrendo rápido demais. Se antes uma ocupação demorava décadas para sumir, hoje elas morrem num passe de mágica: por exemplo, onde estão as locadoras de vídeo? Os telefones públicos, as televisões analógicas, as enciclopédias e o livro impresso que está com os dias contados e até as centenas de serviços que estão sendo substituídos por inovações tecnológicas? Solução? No curto prazo, Brynjolfsson e McAfee recomendam foco total na educação, estímulos para o empreendedorismo e apoio à ciência. Sobreviver nesse novo mundo exige novas competências e habilidades relacionadas à gestão da própria carreira como se ela fosse um negócio. Se o emprego está em crise, o empreendedorismo, não. A era do “fim do emprego” é só o efeito colateral do início de outra era – a do empreendedorismo de massa. Glauco Cavalcanti, em seu artigo “Tempos modernos – o fim do emprego de Carlitos”, adaptou um interessante quadro (que reproduzo a seguir) do livro “Oficina do empreendedor”, de Fernando Dolabela. Nele, descrevem-se as características que permitem que o empreendedor se adapte melhor ao novo mercado do que as pessoas focadas no emprego tradicional.
Empreendedor Empregado
É visionário Consegue ver o futuro para seu negócio e para sua vida. Dependente Necessita de alguém para tornar-se produtivo; para trabalhar, precisa de supervisão.
Sabe explorar as oportunidades Identifica mercados e cria produtos revolucionários que atendem o consumidor. Tem visão restrita Não busca conhecer o negócio como um todo (cadeia produtiva, dinâmica dos mercados, evolução do setor).
É criativo Cria produtos e serviços nos quais ninguém havia pensado antes. Pouco criativo Não se preocupa com o que não existe ou não é feito, apenas procura entender o que já existe, especializando e melhorando a ideia dos outros.
Sabe tomar decisões Não se sente inseguro para decidir, mesmo em momentos críticos. Pouco oportunista Não se preocupa em transformar as necessidades do consumidor em produtos/serviços rentáveis.
É determinado e dinâmico Comprometido com o que faz, atropela as adversidades. Mantém-se dinâmico e cultiva certo inconformismo diante da rotina. Acomodado Não é proativo, apenas reativo. Só percebe que está em perigo quando recebe a carta de demissão.
É apaixonado pelo que faz Adora o trabalho que realiza, e é essa satisfação que o leva ao sucesso. Medroso Tem medo de errar, prefere participar de projetos com baixo risco e de preferência com algum supervisor com muita experiência de mercado.
Planeja Tem um elaborado Plano de Negócio. Estuda pouco Não se atualiza e fica obsoleto para o mercado de trabalho. Sua única forma de reciclagem são os cursos que a empresa fornece e julga importantes para o empregado.
Assume riscos calculados Sabe gerenciar o risco, avaliando as reais chances de sucesso. Detesta tomar decisões Sente-se ameaçado quando tem de tomar uma decisão e busca a solução menos arriscada e que gera menor desgaste pessoal.
Cria valor para a sociedade Gera empregos, dinamiza a economia, inova e procura melhorar a vida das pessoas com seus produtos. Não planeja Vive o aqui agora, não está pensando no futuro, apenas na próxima visita da alta gerência da empresa. Seu único planejamento é para atender a chefia no curto prazo.
Nesse contexto, é difícil acreditar que algum dia se volte a ter algo parecido com o pleno emprego. Se o emprego da forma como o conhecemos hoje tende a ser cada vez mais escasso, por que continuamos exclusivamente a formar jovens para serem empregados? Por que não formamos também nossos jovens para serem empregadores? Ou, melhor, empreendedores? O mundo está mudando profundamente e não se pode impor aos jovens os desejos, os anseios e os medos das gerações passadas. É preciso formá-los/instrumentalizá-los para o empreendedorismo, para o trabalho autônomo, para o associativismo, para o cooperativismo, para a economia colaborativa, que surgem como novas possibilidades de geração de trabalho e renda na economia criativa. Essa ideia das novas formas de trabalho, e não exclusivamente de emprego, tem de ser levada para o jovem desde o ciclo básico até a universidade, de modo que ele seja educado para a mudança e não para estabilidade. Ele deve ser ensinado a conviver com o risco e aprender com ele, a pensar grande, a ter autoestima, coragem, confiança e capacidade para gerir a própria vida, vendo na mudança oportunidade e não ameaça. E ter pensamento positivo e criatividade para enfrentar desafios. Como já disse Érico Veríssimo, “quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras e outras constroem moinhos de vento”. Estarão os atores do processo educacional dispostos a mudar, mudar, mudar sempre, e cada vez mais?   [1] André Gorz (1923-2007): filósofo austro-francês, também conhecido pelo pseudônimo Michel Bosquet. Como jornalista, ajudou a fundar em 1964 o semanário Le Nouvel Observateur. [2] Ludismo, movimento coletivo, iniciado por Ned Ludd, que se estendeu pela Inglaterra pelo século XIX e que era contrário à mecanização do trabalho e visava à destruição da máquina, responsabilizando-a pelo desemprego e pela miséria social nos meios de produção.

Rumo a Paris, com o futuro da educação superior na bagagem

Janguiê Diniz

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

Identificação de Riscos Psicossociais NR-01: A Triagem

Júlio Cesar de Castro Ferreira

Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

Os Silêncios Metacognitivos do Psicanalista e do Professor

Ronaldo Mota

Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

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